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quinta-feira, 5 de março de 2009

Artigo: “A Piada Mortal” e “Coringa”, a cabeça e a cauda

Jota Silvestre

Por conta do enorme sucesso de Batman TDK – e mais ainda por tudo que envolveu Heath Ledger, da morte repentina à conquista póstuma do Oscar – a DC, nos Estados Unidos, e a Panini, no Brasil, promoveram o relançamento de A Piada Mortal (The Killing Joke, Alan Moore e Brian Bolland, 1988) e o lançamento de Coringa (The Joker, Brian Azzarello e Lee Bermejo, 2008).

Não são só o oportunismo e a edição luxuosa que unem as duas obras.

É, obviamente, seu protagonista; e, também, a violência.

Em A Piada Mortal, o Coringa aleija e supostamente estupra Barbara Gordon; tortura física e psicologicamente o Comissário Gordon. Em Coringa, o insano vilão quer reconquistar “sua” cidade depois de uma temporada no Asilo Arkham e, para isso, banha o submundo do Gotham City com sangue.

As semelhanças terminam aí.

Não são só os 20 anos de diferença que separam as duas obras. A Piada Mortal integrou o “movimento” que deu início a uma nova Era dos Quadrinhos em meados dos anos 80.

Fazem parte deste movimento, entre outras HQs, Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano 1, Ronin e Elektra Assassina, de Frank Miller; Watchmen e V de Vingança, de Alan Moore; a Mulher-Maravilha de George Pérez; o Superman, de John Byrne... Fazem parte deste movimento, entre outras características, heróis mais “humanos”, maior aprofundamento psicológico, “realismo” e experiências narrativas até então inéditas ou desconhecidas pelo grande público.

Se A Piada Mortal faz parte do início de uma Era, Coringa está no extremo oposto. A cabeça e a cauda. O início e o fim.

A HQ de Azzarello e Bermejo representa os estertores de um tipo de história que vem se repetindo e se consumindo em sua própria antropofagia. É o reflexo de anos de cópias mal feitas e exageradas daquelas histórias que inauguraram a nova Era e lhes serviram de inspiração.

Em Coringa, a violência não está a serviço da história. Para ressaltar artificialmente a maldade do protagonista, os demais vilões são ridicularizados: Pinguim é um velhote cagão; Duas-Caras, um bandido inseguro; Charada; um moleque drogado; Crocodilo, um crioulo acéfalo. A história é narrada em primeira pessoa por um ladrão de galinhas raso como um pires.

Em tempo: espero, de verdade, que o visual a la Heath Ledger pare por aqui.

Por uma questão de justiça, é preciso dizer que Coringa não é o maior expoente deste “sinal dos tempos”. Até o presente momento, este título pertence a All-Star Batman, de Frank Miller. O mesmo Miller que participou dos primórdios da atual Era dos Quadrinhos criou uma paródia de sua própria obra em que parece querer atropelar a ordem natural das coisas e antecipar o final deste ciclo, que virá mais dia menos dia. Alguns dizem que é proposital; tenho minhas dúvidas.

Curiosamente, a HQ que parece sinalizar o futuro dos quadrinhos pertence ao mesmo “selo”: All-Star Superman. Se meu raciocínio estiver correto, as histórias do próximo ciclo dos quadrinhos tendem a revisitar os clássicos e resgatar aquela inocência despretensiosa da Era de Prata. Os desenhos serão estilizados; simples sem ser caricatos.

Em outra mídia, o desenho animado Batman: The Brave and The Bold parece reforçar minha teoria. Mas até que este futuro chegue, temo que teremos que conviver por mais alguns anos com HQs como Coringa...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Coringa sai como vencedor do IGN Awards 2008

Cada vez mais, 2008 vai se firmando como o ano do Batman. O seria o ano do Coringa? Tudo, claro, graças ao longa-metragem The Dark Knight e à estonteante interpretação de Heath Ledger para o Palhaço do Crime.

O filme foi recordista de bilheteria nos cinemas, o mais baixado na Internet e o DVD mais vendido. Agora, o Coringa sai como o grande vencedor do IGN Awards 2008, premiação anual de um dos sites mais importantes sobre cultura pop.

O Coringa faturou três prêmios diretamente – Melhor Vilão, Melhor Graphic Novel e Melhor Figura Colecionável – e um indiretamente – TDK foi escolhido o Melhor Filme Adaptado dos Quadrinhos do ano. Coincidência ou não, Batman levou o prêmio de Melhor Herói.

Veja a lista completa dos vencedores do IGN Awards 2008:

Melhor Vilão – Coringa

Melhor Herói – Batman

Melhor Coleção – Fábulas (DC)

Melhor Graphic Novel – Joker (Brian Azzarello e Lee Bermejo)

Melhor Filme Adaptado de HQ – The Dark Knight

Melhor Figura Colecionável - Coringa Ladão de Banco (inspirada em TDK)

Melhor HQ Independente – I Kill Giants (Image)

Melhor Estréia – Guardians of the Galaxy (Marvel)

Melhor Minissérie - Magneto: Testament (Marvel)

Melhor Capa - Superman 680 (Alex Ross)

Melhor Edição Única - All-Star Superman 10 (DC)

Melhor Arco de História - The Man Who Bought America, em Captain America (Marvel)

Melhor Momento - Norman Osborn perde sua sanidade, em Thunderbolts 120

Melhor Editora - Marvel

Melhor Escritor - Geoff Johns (Action Comics, Green Lantern)

Melhor Série em Andamento - Thor
Livros - Submarino.com.br