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terça-feira, 28 de abril de 2009

Dois lançamentos de Tempestade Cerebral #5

A revista do editor Alex Mir chega à quinta edição com duas estréias: uma história fechada de Lorde Kramus (Gil Mendes e Jader Corrêa) e outra de Sedna, A Pirata, escrita por Dark Marcos com desenhos de Laudo Ferreira Jr. e cores de Omar Viñole (artistas do livro História do Brasil em Quadrinhos).

Tempestade Cerebral #5 traz ainda a conclusão da saga da guerreira Valkíria (Alex Mir e Alex Genaro), Max Power (Marcos Franco, Luke Oliver e Simião) e a continuação do arco “Corre, Escorpião, corre!”, em que o personagem de Eloyr Pacheco, Escorpião de Prata, enfrenta o Enfaixado, criação do quadrinhista Will. O roteiro é de Eloyr com arte de Marcelo Salaza, Márcia Casaqueviti e Kal J. Moon.

Como vem acontecendo nos últimos números, este também apresenta duas capas - Escorpião de Prata e Lorde Kramus – e presenteia os leitores com um mini-pôster.

O logo também foi alterado: "Há muito tempo eu queria mudar, mas não tinha nenhum que me agradasse. O Lorde Lobo se ofereceu para criar um e fez um belo trabalho, tanto que não hesitei em usá-lo", conta Alex Mir.

Já há dois lançamentos marcados para esta edição, ambos no sábado, dia 2 de maio. Um será em São Paulo, na livraria HQMix (Praça Roosevelt, 142 – Centro), às 21h30, e outro em Londrina, na Revistaria Odisséia (Rua Senador Souza Naves, 307), a partir das 14h. Neste último, ainda acontece o lançamento de Subterrâneo Coletânea – Roteiristas, com histórias de Eloyr Pacheco, Daniel Esteves, Leonardo Santana, Harriot Junior, Leonardo Melo e do time de quadrinhistas do coletivo paulistano Subterrâneo.

Tempestade Cerebral #5 tem 48 páginas, formato americano, capa colorida e miolo p&b. O custo é de R$ 4,00 e os pedidos podem ser feitos pelo e-mail alexandre1736@terra.com.br.

segunda-feira, 30 de março de 2009

5 Perguntas para Eloyr Pacheco

Professor, articulista, editor do site Bigorna, criador do personagem Escorpião de Prata, coordenador do coletivo Syndicate Ink e da AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, Eloyr Pacheco tem uma relação premiada e de longa data com os quadrinhos.

(E, aqui, vale uma menção pessoal: conheci Eloyr na Bienal do Livro de SP de 2006 e devo muito do meu trabalho atual em quadrinhos a este encontro).

Eloyr começou a carreira de jornalista ainda em Londrina, sua cidade natal, onde trabalhou em importantes veículos de comunicação. Lá mesmo organizou um evento sobre quadrinhos, o primeiro de muitos que viria a realizar. No final dos anos 90, mudou-se para a redação da revista Metal Pesado, em São Paulo, e trabalhou ao lado de profissionais como Jotapê Martins e Álvaro de Moya. Fundou e dirigiu a Brainstore Editora, publicando muito material inédito no Brasil e também autores nacionais, como Marcelo Campos (Quebra-Queixo), entre muitos outros.

Eloyr Pacheco responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Como foi sua experiência como editor de revista na época da Brainstore? Quais eram as maiores dificuldades e como foi a decisão de encerrar as atividades da editora?
Foi uma ótima experiência. Tanto trabalhar com quadrinhos estrangeiros como nacionais foi muito bom. Ter lançado Quebra-Queixo, do Marcelo Campos; Noite de Caça, do Alexandre Dias e do Anderson Almeida; A Estranha Turma do Zé do Caixão, do estúdio Montandon e Dias, entre outros títulos nacionais, foi muito importante para mim.
A maior dificuldade de uma pequena editora era (e continua sendo) a distribuição. A Internet ajuda (e muito), mas o leitor ainda quer encontrar suas publicações preferidas na banca da esquina da sua casa ou na livraria mais próxima.
Não estou com a editora inativa por decisão minha: depois que quebrei uma perna em maio de 2004, fiquei quase uma ano em recuperação e, nesse período, perdi muitas negociações e parcerias. Quando me recuperava da fratura, meu estúdio foi arrombado e todos os meus equipamentos roubados; isso acabou de arruinar meus planos e perdi as demais parcerias que tinha por falta de um estúdio de produção.

2) A Brainstore publicava o "Lado B" das grandes editoras: Sandman Apresenta, Lobo, Hitman, Anti-Heróis DC... Qual era o critério de seleção dos títulos?
O que eu queria era isso mesmo! Publicar material alternativo, criar uma opção diferenciada para os leitores, e acho que acabei conseguindo isso naquele momento. Tenho muito orgulho de projetos como Dark Heroes (com Desafiador e Starman, por exemplo) e DC Millennium (com Novos Deuses e Impulso, por exemplo). Nem sei se alguém já publicou no Brasil tantas histórias do Lobo, Hitman e Etrigan quanto eu lancei! (Risos.) Isso me alegra porque me faz pensar que fiz o que queria: dar uma opção diferenciada para o leitor de quadrinhos.

3) Tenho lido as histórias do seu personagem Escorpião de Prata (com desenhos do Will) na revista Tempestade Cerebral. Quais são seus planos para o personagem?
Muitos. O Escorpião de Prata continua firme no mix da Tempestade Cerebral, muito bem editada pelo Alex Mir. A sequência de histórias publicada na TC faz parte do projeto que chamo de Volume 1 e que tem como característica o traço cartunesco/”adventure”, feito de maneira extraordinária pelo meu amigo Will. Na Tempestade Cerebral #5 sai mais uma pequena história do Escorpião de Prata com arte do Marcelo Salaza e tons de cinza do Lucas Tanaka. Mas o Will e o Carlos Nascimento (que segue este estilo também) vão revezar na arte de mais 20 páginas que já estão roteirizadas. Tem muito ainda o que acontecer no atual arco “Corre, Escorpião, Corre!” Posteriormente essas HQs serão reunidas em uma edição encadernada.
O Volume 2 já está sendo trabalhado. O model desta nova fase foi feito pelo Nascimento e pelo Carlus Alexandre (duas grandes promessas dos Quadrinhos) e tem como característica o traço realístico.
Há um encontro entre o Crânio, do Francinildo Sena, e o Escorpião de Prata roteirizado e que será desenhado pelo Alex Genaro programado para ser publicado na Tempestade Cerebral #6.
Tem mais surpresas a caminho, mas já posso adiantar que o Escorpião de Prata vai se encontrar com a Penitência, do Marcos Franco; o Lagarto Negro, do Gabriel Rocha; o Penitente, do Lorde Lobo, e o Cometa, do Samicler Gonçalves. Alguns desses encontros ainda estão sendo roteirizados e outros estão sendo desenhados e podem ser publicados em breve.
Além dos parceiros que mencionei e que tenho muito orgulho de ter ao meu lado, tem ainda o Edson Clark, o Moacir Muniz e o Zezo Bauer trabalhando no Escorpião de Prata comigo. E eu boto muita fé no talento desses caras!

4) Como anda a Associação dos Quadrinhistas de Londrina? Quais os projetos da entidade?
A AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, lançada no Dia do Quadrinho Nacional deste ano, está em fase de organização, mas já temos uma sala na Revistaria Odisséia – do Carlos Martins, nosso maior incentivador – onde montamos o estúdio de produção do coletivo Syndicate Ink, que funciona como braço de produção da Associação e assumiu o fanzine “Deu Nisso?!”, que acabou de ter um novo número lançado (em breve o disponibilizaremos em PDF.)
Eu, o arte-educador Carlos Nascimento, o designer Lucas Tanaka, o chargista Fí e o fotógrafo Dennis P. Saridakis abrimos inscrições para cursos e oficinas e estamos dando aulas. Queremos formar novos quadrinhistas e fanzineiros.
Temos uma parceria com o SESC Londrina que neste ano realizará mais uma edição do SESC em Quadrinhos, evento realizado pela primeira vez no ano passado e com muito sucesso. Também realizaremos o segundo 24 Horas de Quadrinhos em Londrina.
Eu fui nomeado representante da área de Artes Gráficas no Conselho Municipal de Cultura, um dos primeiros do Brasil que ajudei a estruturar nos anos 1980, e isso nos traz muitos convites para palestras e exposições. No final da semana passada, participamos do Anime Yuu, evento voltado para os fãs de mangá e anime.


5) Seu site, o Bigorna, é basicamente orientado para divulgação do quadrinho nacional. Como é o trabalho de apuração e seleção do que é publicado?
Na verdade é uma busca diária de informações sobre o que está acontecendo no mercado independente, parte do mercado editorial que ainda carece de organização e, por isso, não tem o hábito de mandar informações e releases de seus lançamentos. Isso já começou a mudar, mas o fato é que eu e o Humberto Yashima, parceiro meu no Bigorna desde seu início, “corremos atrás da notícia”. A gente vai atrás de informações no Orkut, nos fotologs e blogs...O que encontramos e o que chega até a gente, independente da qualidade, nós noticiamos. Creio que neste momento nós não somos os juízes da produção, o mercado é que ditará o que continua a ser publicado ou não. O que vende continua, o que não vende pára de ser publicado. Nós incentivamos as iniciativas, sempre louváveis, num mercado editorial tão competitivo como o nosso, que ainda tem como base os quadrinhos mainstream, especialmente super-heróis, e os mangás mais comerciais. Infelizmente os independentes, tanto nacionais como estrangeiros, precisam brigar, e muito, por espaço.

segunda-feira, 16 de março de 2009

5 Perguntas para Alex Mir

Alex Mir tem 33 anos e escreve desde os 12. Começou com matérias para as revistas Escalla News (Editora Escalla) e HQMania (Editora Magnum) e, depois de um tempo, partiu para a produção de quadrinhos. Em 2007, lançou Defensores da Pátria e Tempestade Cerebral, que já está no quarto número. No mesmo ano, publicou na revista Prismarte a história Um dia Quente em Cancun, que lhe valeu os prêmios de melhor roteirista, melhor personagem e melhor história no evento Melhores da Prismarte.

O editor da Tempestade Cerebral responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:


1) Tempestade Cerebral mistura diferentes gerações de autores numa mesma edição. Como é feita a seleção das histórias?
Para as primeiras edições, entrei em contato com alguns amigos e pedi algumas HQs para entrar na TC. Fiz uma seleção das histórias que recebi e distribuí pelas quatro edições. Em cada uma, busco publicar uma HQ fechada de outro autor, mas com o mix cada vez mais fechado, a tendência é que essas histórias fiquem mais raras. Para a edição de aniversário, lançada em dezembro passado, fui atrás daqueles autores que eu já conhecia e dos quais era fã, e fiz o convite para participarem da revista. A maioria aceitou.
Estou tentando montar um mix definido para a revista e cada vez chego mais perto disso. Hoje, por exemplo, temos quatro séries regulares:
Valkíria, Escorpião de Prata, Max Power e Força Mística. A partir da quinta edição, entra o Lorde Kramus. Tenho programadas para este ano as edições 5, 6 e 7 (esta será lançada no FIQ, em outubro) e já estou programando as edições para o ano que vem.

2) A revista chama atenção pela qualidade gráfica (formato flip-flap, papel e impressão de qualidade, várias capas). Como você faz para manter o título financeiramente viável?
A revista ainda não se paga, mas para uma publicação independente tem vendido bem. Todos os custos ainda saem do meu bolso, mas estou em negociação com alguns anunciantes já para publicação de anúncios na TC 5. Com quatro edições lançadas, a negociação fica um pouco mais fácil. O anunciante tem mais confiança de investir seu dinheiro.

3) Como é feita a distribuição de Tempestade Cerebral e como estão as vendas?
A TC é uma das revistas distribuídas pelo Quarto Mundo (coletivo de produtores independentes de quadrinhos). Aqui no ABC eu mesmo distribuo nas bancas. A revista tem uma saída boa também pela internet (orkut, e-mail, loja virtual Bodega, Comix). As vendas, apesar de ainda não pagarem os custos totais da revista, vêm aumentando a cada edição e isso nos anima a continuar, saber que a cada número a TC ganha mais leitores.

4) Qual sua base teórica como roteirista?
Eu leio muito desde que me conheço por gente. Como roteirista, sou autodidata. Mas sempre há a necessidade de aprimoramento, principalmente da parte técnica. Para escrever também existem macetes. Por isso estou fazendo o curso de roteiro de quadrinhos e cinema da Quanta e já fiz um de roteiro do SENAC. Tenho lido alguns livros como o Guia Oficial de Roteiros da DC Comics e A Palavra em Ação, do Marcelo Marat, publicado pela editora Marca de Fantasia.

5) Quais roteiristas estrangeiros e nacionais você admira?
Dos estrangeiros gosto muito dos escritores do Reino Unido. Meu preferido é Alan Moore. Eu admiro muito a facilidade que ele tem de lidar com alguns assuntos e transformá-los em ótimas histórias em quadrinhos. Monstro do Pântano, por exemplo, é puro xamanismo. Só Alan Moore consegue transformar o conceito do xamanismo em uma obra magnífica. Isso o diferencia dos outros. Qualquer outro roteirista poderia pegar esses conceitos e tentar utilizar no Monstro do Pântano, mas não conseguiria o mesmo resultado. O outro é Grant Morrison. O Homem Animal dele mudou muitos dos meus conceitos de como se contar histórias em quadrinhos. Essa fase do personagem ficou marcada pra mim. O Evangelho do Coiote está entre minhas histórias preferidas. Uma das melhores que eu já li em minha vida.
Dos nacionais, gosto muito do Wellington Srbek. Um dos meus primeiros contatos com material independente se deu no final da década de 90 na Bienal do Livro, onde adquiri edições da revista
Solar, criação dele. Naquele momento, eu percebi que era possível fazer quadrinho nacional de qualidade e mais, que no Brasil existiam, sim, roteiristas. E bons. Fora o fato de que o Srbek escreve muito! Além do Solar, destaco Muiraquitã e Estórias Gerais.


Mesmo com a revista Tempestade Cerebral caminhando para manter um mix cada vez mais fechado, Alex Mir garante que o espaço para novos autores continuará existindo. A preferência é por histórias fechadas, com no máximo oito páginas e do gênero Aventura (não obrigatoriamente de super-heróis).

Os interessados podem encaminhar o material para avaliação pelo e-mail alexandre1736@gmail.com.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Tempestade Cerebral: Melhor a cada edição

Ligada ao selo Quarto Mundo, a revista do editor e roteirista Alex Mir é uma prova de que é possível produzir HQ independente de qualidade.

Tempestade Cerebral vem apresentando uma novidade a cada edição. O número 2 trouxe pela primeira vez o formato “flip-flap” (duas capas, metade do material invertido), que acabou virando uma marca registrada do título. A edição seguinte ficou maior: passou do tamanho 14,5 x 21 cm para 16 x 25 cm.

O número 4 extrapolou: mais que dobrou o número de páginas (de 16 para 36) e veio com uma oito capas! Como não poderia deixar de ser, o preço acompanhou as mudanças para manter a viabilidade do projeto. Todas edições publicadas até agora têm capa colorida, miolo P&B em papel couché e impressão de qualidade.

Mas não é só no formato que Tempestade Cerebral mostra a que veio. O mix é uma geléia geral. Mistura personagens com anos de estrada – Crânio, Velta, Escorpião de Prata – com estreantes – Valkíria, Força-Mística e outros. Mistura “mestres” – Emir Ribeiro e Sebastião Seabra, ambos premiados no último Ângelo Agostini – com “aprendizes”.

Se por um lado o leitor tem a oportunidade de entrar em contato com diferentes gerações de quadrinhistas nacionais, por outro esta seleção torna Tempestade Cerebral uma revista irregular, com altos e baixos tanto em termos de roteiro quanto de arte.

Dos mais conhecidos não há muito que falar. Eloyr Pacheco sempre tem uma pegada bacana para seu Escorpião de Prata, que casa perfeitamente com o traço estilizado de Will. Luke Oliver mostra seu traço seguro e caprichado numa história do Crânio e numa nova série escrita por ele, Bravos!

A Velta de Emir Ribeiro dispensa comentários e fiquei feliz em ler uma história da sensual heroína assinada por Rod Gonzalez. Vidas Secas, que marca a volta do personagem Pulsar, de Arthur Garcia, e o Vingador Mascarado, de Sebastião Seabra, são outros dois bons exemplos de histórias bem escritas e desenhadas.

Das estréias, as mais consistentes em termos de arte e roteiro são coincidentemente as criações de Alex Mir, Valkíria e Força-Mística – a primeira desenhada por Alex Genaro e a segunda, por Márcio Luiz.

A trama de Força-Mística, apesar de já ter chegado à terceira parte. ainda está decolando, mas promete. Valkíria, ao contrário, é uma aventura no melhor estilo "espada e magia", bem feita e bem conduzida. Tem aquela qualidade essencial de prender o leitor e deixar um gosto de “quero mais” ao final de cada capítulo.

No balanço geral, Tempestade Cerebral é uma revista altamente recomendada. Com o tempo, deve alcançar uma regularidade maior entre as histórias, sem deixar de ser um laboratório para jovens talentos.
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