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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Papo de Quadrinho viu: Smallville – Episódio “Idol”

Ou, a aparição dos Supergêmeos em Metrópolis...

Para quem não acompanha o seriado como eu, o que Smallville tem de mais interessante são as aparições de outros personagens dos quadrinhos.

Quando foi divulgado que haveria a participação dos Supergêmeos no oitavo episódio da nona temporada, fiquei curioso e decidi conferir.

O programa foi ao ar nos Estados Unidos na última sexta-feira, dia 13, e, pelas minhas contas, deve desembarcar por aqui, na Warner, dia 15 de dezembro.

O mínimo que se pode dizer de Idol é “interessante”. Assistir aos Supergêmeos em live action é como um sonho de infância. É sensacional!

Se no desenho dos Superamigos Zan e Jayna já não podiam ser levados a sério, o mesmo acontece em Smallville – e aí é que está a graça. Neste episódio, eles são os mesmos irmãos bem intencionados que acabam criando confusão. É a deixa para levantar questões sobre o heroísmo e a idolatria a que o título se refere.

Certamente por motivos de direitos autorais, em Smallville eles são chamados simplesmente de “Z” e “J”, e ao se transformarem, bradam “powers, activate” em vez de “Wonder Twins powers, activate” como no desenho animado.

E, claro, dentro da proposta do seriado de reinventar ou “atualizar” os personagens dos quadrinhos, eles não têm aparência alienígena e sim um visual moderninho.

O episódio, de certa forma, também redime Zan, o gêmeo que se transforma em água (em todos seus estados). Sempre ouvi críticas de que ele usava seus poderes de forma idiota no desenho, o que não deixa de ser verdade. Em Smallville, é diferente.

Os efeitos especiais da transformação dos irmãos são caprichados. E por falar em capricho, os produtores acharam uma maneira bem criativa de incluir o macaco Gleek na história.

De forma inteligente, ao final do episódio fica um gosto de “quero mais”, o que é uma ótima deixa para que os Supergêmeos voltem a dar as caras em Metrópolis.

Tomara que sim!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Papo de Quadrinho viu: Distrito 9

Para manter a tradição de respeito aos leitores deste blog, esta essa nota não contém spoilers.

Por Társis Salvatore

Em janeiro, Papo de Quadrinho fez uma lista dos filmes mais esperados de 2009; curiosamente, Distrito 9 passou batido.

Localizado na metrópole sul-africana de Joanesburgo, Distrito 9 é o nome de uma favela típica, com sua pobreza, crime, violência e moradores que sonham com dias melhores. A diferença é que o Distrito 9 não é uma favela qualquer...

Em 1982, ainda no regime de apartheid, uma imensa eapaçonave irrompe nos céus da cidade, para o espanto de toda a humanidade. Especialistas invadem a nave e encontram uma população alienígena desorientada, suja, subnutrida e doente. Incapazes de retornar para seu planeta, o governo acolhe os milhares de extraterrestres em uma área fechada da cidade para evitar uma possível epidemia e recuperá-los.

Com o passar do tempo, fica claro que os aliens podem voltar ao seu planeta mas, à medida que vão permanecendo aqui, a convivência com a população local se deteriora até ficar insuportável. Apelidados de prawns (uma espécie de camarão), os aliens são marginalizados e isolados no Distrito 9, que na realidade tornou-se um campo de concentração.

Narrado com jeitão de documentário, o filme do sul-africano Neill Blomkamp é uma surpresa muito agradável não só para os fãs de ficção-científica. Foi baseado em seu curta-metragem Alive in Joburg, que mostrava a chegada dos aliens em Joanesburgo.

Wikus De Merew (vivido de forma brilhante pelo ator, produtor e diretor Sharlto Copley) é um perfeito sul-africano classe média e o burocrata encarregado de levar os camarões para o Distrito 10, já que o atual não oferece mais condições de ser controlado. Um acidente, porém, vai mudar para sempre sua vida e a da população alienígena.

O diretor Blomkamp foi apadrinhado por um gigante da industria hollywoodiana, Peter Jackson e, para realizar Distrito 9, contou com módicos (para os padrões do cinema americano) US$ 30 milhões.

Sem astros famosos no elenco, mas com uma história envolvente e direção segura, alicerçada por efeitos especiais primorosos, Distrito 9 já arrecadou nos Estados Unidos mais de US$ 180 milhões.

A propaganda ficou por conta de campanhas virais e, claro, a própria bênção de Peter Jackson ao filme. No metrô de São Paulo, já é possível ver placas alertando que a área “é restrita somente para humanos”.

Distrito 9 é um filme que mostra o que há de pior em todos nós: cobiça, medo, intolerância e a forma como nos transformamos diante do inevitável. Fã ou não de ficção científica, não perca esse filmaço que estreia amanha (16) nos cinemas brasileiros.

domingo, 11 de outubro de 2009

Papo de Quadrinho viu: Homem-Aranha Ação e Aventura

A convite da assessoria de imprensa, este editor assistiu à estreia do espetáculo na tarde do dia 10, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

Homem-Aranha Ação e Aventura cumpre o que promete: é uma superprodução cheia de efeitos cenográficos, trilha sonora bacana, figurinos dos anos 60 e uniformes dos personagens caprichados, acrobacias e boas interpretações.

De tudo isto, o que mais se destaca é a cenografia: peças e pedaços do palco são constantemente movimentados e alterados para criar os diferentes ambientes em que a história se desenrola. Mas o que mais impressiona é o casamento das imagens, estáticas e dinâmicas, projetadas atrás e à frente dos atores para provocar os efeitos visuais dos quadrinhos e do cinema. Há momentos em que o Homem-Aranha realmente parece estar se balançando entre os prédios. Sem falar nos trechos de HQs (em espanhol) projetadas para ajudar na condução da narrativa.

O jovem Daniel Granieri tem talento de sobra para interpretar Peter Parker e preparo físico suficiente para a maioria das cenas como Homem-Aranha. Quem rouba a cena, porém, é Alexandre Brum Corrêa como Duende Verde, que consegue transmitir a insanidade do vilão e ainda veste o uniforme que todo fã gostaria de ter visto no cinema no lugar daquela roupa espacial de William Dafoe.

O espetáculo se propõe a contar desde a origem do Homem-Aranha até o grande confronto com o Duende Verde, em que ele descobre a identidade secreta do herói e sequestra Mary Jane. Por aí, já dá para perceber que o enredo mistura os elementos dos quadrinhos e dos filmes mais recentes.

Mas não é isso que compromete o desenvolvimento da peça e sim algumas cenas mais “paradas” em que são necessários muitos minutos de diálogos para explicar as situações. Para a audiência mais velha, nenhum problema; as crianças, porém, tendem a ficar entediadas nesses momentos.

Há também a origem do Dr. Octopus e a participação do Sexteto Sinistro. Apesar de breve, a luta contra Mystério, Lagarto, Electro, Homem-Areia, Rino e Abutre é uma das cenas mais divertidas e animadas de todo o show.

O Ginásio do Ibirapuera talvez seja mesmo o melhor lugar em São Paulo para a encenação de Homem Aranha Ação e Aventura, especialmente nas cenas em que o Homem-Aranha e o Duende Verde surgem voando sobre a plateia.

A questão é que a maior qualidade de Homem-Aranha Ação e Aventura talvez seja também seu maior defeito: trata-se de uma superprodução e, como tal, o preço para assisti-la pode se tornar proibitivo.

Na pista, os ingressos variam de R$ 280 (VIP Diamante, a fila do gargarejo) a R$ 220 (VIP Prata); a Cadeira Branca, primeira série de cadeiras após a pista, mais ao centro, R$ 240; as Cadeiras Azul e Amarela, que ladeiam a Branca, R$ 180. O preço mais acessível é o da Arquibancada, mas é preciso chegar cedo para não ficar muito na lateral e perder parte da visão do palco (todos estes preços são para entrada inteira comprada na bilheteria do ginásio, sem taxa de conveniência - veja o mapa de assentos).

Se considerar que o espetáculo é “familiar”, que o estacionamento mais próximo cobra R$ 25 e que dentro do ginásio uma lata de Coca-Cola e um pacote de salgadinhos saem por R$ 5 cada, é preciso estar disposto a desembolsar um bom dinheiro para participar da festa. É uma brincadeira cara.

domingo, 27 de setembro de 2009

Papo de Quadrinho viu: Superman/Batman: Inimigos Públicos

Há pouco tempo, eu disse aqui que Lanterna Verde: Primeiro Voo era a melhor animação lançada diretamente para consumo doméstico pela DC/Warner. Bem, vou parar de fazer este ranking porque os produtores vêm se superando a cada novo produto.

Superman/Batman: Inimigos Públicos é... fodástico!

Grande parte do mérito é de Jeph Loeb, autor do roteiro original da HQ na qual o desenho foi baseado. Mas Stan Berkowitz (o mesmo de DC: A Nova Fronteira) mostra bastante competência em amarrar seis edições de histórias em pouco mais de uma hora de animação.

Resumindo a trama: Lex Luthor, então presidente dos Estados Unidos, aproveita o iminente choque de um meteoro de kriptonita com a Terra para voltar a opinião pública contra Superman e seu aliado, Batman.

Assistir a dois ícones dos quadrinhos lutando lado a lado já é bom; ver o Superman do lado oposto ao poder constituído é ainda melhor.

A batalha contra dezenas de vilões, interessados na recompensa de US$ 1 bilhão oferecida por Luthor, é espetacular. Mas o bacana mesmo é o momento em que a dupla fora-da-lei enfrenta outros super-heróis que trabalham para o Governo: Capitão Átomo, Raio Negro, Estelar, Katana, Capitão Marvel...

Brigas entre mocinhos são sempre bacanas porque não se trata apenas de força física, mas do que cada lado acredita ser o certo (quem leu e gostou de Gerra Civil sabe do que estou falando).

Para além do roteiro de tirar o fôlego, com ação do início ao fim, está a técnica. Sem perder as características de um desenho animado e sendo bastante fiel à dinâmica de uma história em quadrinhos, há momentos em que os personagens parecem deslizar sobre a tela de tão perfeitos que são os movimentos.

Superman/Batman: Inimogos Públicos é, acima de tudo, uma história de amizade. Amizade sincera entre dois grandes homens que respeitam suas diferenças e conseguem extrair delas o que têm de melhor.

O desenho estará disponível a partir do dia 29 deste mês em três formatos: DVD simples, DVD duploe Blu-Ray. Imperdível!

Aproveite para conhecer as estátuas do desenho que a DC Direct lançou esta semana.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Papo de Quadrinho viu: G.I. Joe – A Origem de Cobra

Por Társis Salvatore

Para manter a tradição de respeito deste blog a seus leitores, não há spoilers nesta nota.

Se você tem mais de 30 anos, se lembrará com carinho saudoso dos “Comandos Em Ação” (cujo nome original é G.I.Joe): os bonequinhos articulados colecionáveis (ok, pode chamar de action figures), repletos de acessórios como armamentos e veículos especiais, além de uma galeria de heróis e vilões, e que foram sucesso nos anos 1980.

Alavancado por um desenho animado que passava na TV Globo, os bonequinhos do G.I. Joe eram um sonho de consumo da molecada na época.

Décadas depois, o mesmo cinema norte-americano que explorou personagens de games e se rendeu aos super-heróis dos quadrinhos, investe agora em produções baseadas em produtos colecionáveis. O que não é um problema, já que hoje todos os outros personagens do cinema acabam se transformando em action figures.

E o que esperar de um filme baseado em bonequinhos de brinquedo para meninos?

Depois de acertar a mão com os Transformers, a fabricante de brinquedos Hasbro uniu-se à produtora Bonaventura para fechar o projeto G.I. Joe. Como não bastam efeitos especiais de primeira para fazer um bom filme, a ideia foi resgatar os principais personagens - conhecidos tanto nos brinquedos quanto nos desenhos animados -, atualizar a equipe G.I. Joe e seus veículos especiais, e dar um carater internacional com os maiores agentes especiais de todo o mundo.

O resultado é um filme divertidíssimo, um misto de videogame, James Bond e história em quadrinhos. O bom elenco selecionado para viver os principais heróis e vilões ajudou o diretor Stephen Sommers (Van Helsing; O Retorno da Múmia) a contar uma história coesa criada por Michael B. Gordon (300), para apresentar a equipe G.I. Joe, suas especialidades e habilidades.

O filme tem um bom ritmo, alternando humor, paixão - sem apelação – e, claro, muita ação, perseguição de veículos, destruição de cidades, tiroteio e lutas coreografadas.

Afinal, os G.I.Joe são uma equipe secreta de elite, reunindo os melhores especialistas militares nas mais diversas áreas de combate, cada um com pleno domínio de seus equipamentos especiais. Quando a ameaça é global e tudo mais falhar, os G.I. Joe entram em ação para vencer ou morrer.

Não podemos esquecer os datalhes da produção que enriqueceram o filme: o figurino, os sets principais construídos em tamanho real nos estúdios Downey, em Los Angeles, e claro, os veículos especiais, que vão desde o armamento mega-sofisticado até a vedete do filme, o maravilhoso caça cobra Raven. Para a alegria das crianças (incluindo as grandes), esses heróis e veículos estão sendo lançados no Brasil pela Hasbro.

Seja para relembrar seus heróis de brinquedo dos anos 1980 seja para apresentar aos seus filhos de nove a 14 anos aos “novos” G.I. Joe, dê uma chegada à sua sala de cinema favorita, compre seu combo de pipoca e se divirta com essa aventura repleta de ação desenfreada e pancadaria. E quanto aos personagens colecionaveis da Hasbro, resista se puder.

Uma última informação: para conhecer todos os detalhes da história dos G.I. Joe procure a revista Mundo dos Super-Heróis 17, que traz uma matéria completa do especialista Eder Pegoraro, criador do blog sobre action-figures Sala de Justiça.

domingo, 26 de julho de 2009

Papo de Quadrinho viu: Green Lantern: First Flight


Para manter a tradição de respeito aos leitores deste blog, esta nota não contém spoilers.

Com lançamento marcado para esta terça-feira (28), o mais recente longa-metragem animado da DC é também um dos melhores até agora, empatado com DC: A Nova Fronteira.

Ok, é um comentário tendencioso, que denota minha predileção pelo Lanterna Verde...

A origem do personagem é contada rapidamente, quase como uma introdução. É a clássica história do piloto de provas recrutado pelo anel do moribundo alienígena Abin Sur.

Depois disso, sobram quase 80 minutos de pura ação. O desenho não se perde nos psicologismos tão comuns às HQs de hoje em dia; Hal Jordan praticamente não demonstra dúvidas ou insegurança quanto a seu novo papel de defensor do Universo.

Se há alguma ressalva, é quanto à forma como Sinestro, um dos mais destacados membros da Tropa dos Lanternas Verdes, passa para o time dos vilões. As motivações do personagem estão todas lá – especialmente sua obsessão pela ordem – mas o modo como isso acontece difere dos quadrinhos – pelo menos das duas versões mais conhecidas: a primeira, de 1961, e a dos anos 80, publicada na minissérie Amanhecer Esmeralda.

Nada que comprometa, porém, o resultado final. O roteiro é coerente e mantém, pelo menos na essência, as principais características deste e dos demais personagens.

O maior mérito de Green Lantern: First Flight é o respeito a Hal Jordan, o maior Lanterna Verde que já existiu. Neste desenho, ele é apresentado como o homem destemido e determinado que de fato é, com ou sem seu anel.

Enfim, mais um desenho imperdível da DC; agora é esperar por Superman e Batman: Inimigos Públicos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Papo de Quadrinho viu: Justiceiro: Zona de Guerra

Por Társis Salvatore

Para manter a tradição de respeito deste blog a seus leitores, não há spoilers nesta nota.

O Justiceiro estreou nos quadrinhos como coadjuvante em The Amazing Spider-Man 129 (fevereiro de 1974), mas somente em 1986 ganhou minissérie própria. No início da década de 90, personagens violentos e/ou politicamente incorretos ganharam destaque; assim, Frank Castle, o Justiceiro, um ex-militar cuja família foi morta pela máfia durante um piquenique, sobreviveu para se tornar um impiedoso matador de mafiosos e alcançou grande sucesso e popularidade com uma fórmula basicamente simples: encontrar vilões e atirar para matar.

Para o azar dos fãs, as primeiras incursões do Justiceiro à telona não foram muito bem recebidas pela crítica e público. Em 1989, The Punisher estreou nos cinemas dirigido por Mark Goldblatt, com Dolph Lundgren no papel principal, um baixo orçamento e as muitas diferenças com relação aos quadrinhos. O resultado foi o fracasso nas bilheterias e o repúdio dos fãs.

Em 2004 houve uma nova tentativa de levar o Justiceiro para as telonas, mas, novamente, o resultado foi insatisfatório, embora muito melhor do que o primeiro filme. Desta vez, a trama remetia aos quadrinhos e o Justiceiro foi vivido por Thomas Jane tendo o galã John Travolta como vilão.

Curiosamente o que foi considerado o "verdadeiro" filme do Justiceiro, sequer chegou aos cinemas e saiu no Brasil diretamente em DVD.

Lançado em um momento em que o Justiceiro não desfruta de grande popularidade e a violência explícita já não tem lotado as salas de cinema americanas, o novo filme passou desapercebido do público exatamente por ser fiel aos quadrinhos e à essência de seu personagem.

Ray Stevenson é um retrato fiel do Justiceiro (da boa fase Garth Ennis e Steve Dillon, a dupla criativa que trabalhou com o persongem pelo selo Marvel Knights entre 2000 e 2003). Essa fase, marcada pela violência explícita tanto nos bons roteiros quanto na arte, foi transportada com maestria pela diretora Lexi Alexander (Hooligans, 2005) e trouxe no elenco dois personagens importantes dos quadrinhos: o vilão Retalho (Dominic West) e o parceiro Microchip (Wayne Knight, o Newman do seriado Seinfeld), além do próprio Stevenson.

Assim como nos quadrinhos, Justiceiro: Zona de Guerra apresenta sem firulas a violência e a amargura de Frank Castle. Sua fúria punitiva - Castle não quer vingança, quer punir os mafiosos - conta com a conivência da polícia local que aprova seus métodos para chegar aonde o grande braço da lei não alcança, até que um agente infiltrado é morto e a amargura de Castle põe em dúvida suas convicções.

O restante é um reflexo da violência que acompanha o Justiceiro nos quadrinhos, seu palco repleto de bandidos mortos sem piedade, uma guerra envolvendo diferentes facções e gangues e reféns da loucura de um terrível vilão: O Retalho.

É uma pena que o melhor filme do Justiceiro (alguns fãs diriam, o único filme do Justiceiro) é uma adaptação certa na hora errada, um momento em que o público médio se enche de esperanças pela vinda do novo presidente norte-americano e parece saturado pela guerra, não acreditando que a matança desenfreada seja a melhor diversão para o momento.

Para os fãs de quadrinhos, sobretudo de heróis "politicamente incorretos" como Justiceiro, valeu a espera por essa ótima adaptação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Papo de Quadrinho viu: Transformers, a Vingança dos Derrotados

Por Edson Rossatto

Para manter a tradição de respeito deste blog a seus leitores, não há spoilers nesta nota.

Nunca fui um fã ardoroso do desenho Transformers que passava na Globo no final da década de 1980. Mesmo assim o trailer aguçou a curiosidade e esperei muito o lançamento da transposição do desenho para o cinema (Transformers, 2007).

Valeu a espera. Michael Bay surpreendeu ao dirigir muita ação partindo de um roteiro muito bem construído e de fácil entendimento. O resultado foi um faturamento de mais de 700 milhões de dólares e o sinal verde para uma continuação.

Na última terça-feira (23), foi lançado mundialmente Transformers – A vingança dos derrotados (Transformers: Revenge Of The Fallen), com Michael Bay de volta à direção, no roteiro de Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman.

O Papo de Quadrinho já publicou a sinopse do filme, então vou me ater somente às impressões.

Desde o começo, o filme prende a atenção, seja pela ação alucinante ou pela comédia. Aliás, esses dois elementos foram muito bem dosados. Quando se está cheio da ação, entram em cena os hilários pais de Sam Witwicky (Shia LaBeouf) ou seu colega de quarto paranóico dono de um site sobre teoria da conspiração. Também volta à cena Simmons, o perturbado agente do governo do primeiro filme, interpretado por John Turturro. E contracenando com eles, os atrapalhados gêmeos Autobots Skids e Mudflap. Essa turma garante boas risadas.

No parágrafo anterior eu usei a expressão “ação alucinante”, que é qualidade, mas também se torna um defeito, pois muita coisa acontece ao mesmo tempo nas cenas de ação, e isso pode confundir um pouco os menos atentos.

Já o roteiro é bem convincente. Trata-se de uma história independente do filme anterior. Então, aquele que não assistiu ao primeiro filme pode ir ao cinema tranquilo. As poucas referências diretas ao Transformers de 2007 são explicadas dentro desse roteiro de forma muito natural.

Mas para aqueles que assistiram ao primeiro filme, ai vão algumas novidades (mas sem spoilers!):

1) Novos robôs: agora temos motos-robôs, brinquedos-robôs e até um antigo caça Blackbird-robô de papel importante na trama.
2) Novo vilão: Que Megatron que nada! O novo vilão é um velho conhecido dos Prime.
3) Vira casaca: Robôs de um time passando para o outro lado. Autobots? Decepticons?

As locações também chamam a atenção. Boa parte da trama se passa entre o Egito e a Jordânia.

Megan Fox continua linda e meu sonho de consumo (depois de minha namorada, é claro!...rs)! Shia LaBeouf é o mesmo nerd/mauricinho fora de seu ambiente natural, mas que dá conta do recado. Realmente o rapaz é bom. Li em algum lugar que Michael Bay gosta de trabalhar com esse ator porque ele costuma improvisar piadas.

As músicas de Linkin Park, Smashing Pumpkins e Goo Goo Dolls entram em sincronia com os acontecimentos. Parece até que os roteiristas escreveram o filme ouvindo as músicas.

Como no primeiro filme, este se conclui, mas com um gancho para uma aventura seguinte. (Espero!)

Mas nem tudo são flores. Se teve uma coisa que me deixou com raiva foram as legendas do filme! Boa parte da história se passava à luz clara do dia, e as legendas eram brancas! Não dava para ler quase nada quando o fundo era brilhante. Será que as distribuidoras não percebem que isso prejudica o entendimento dos filmes? E o que aconteceu com as boas e velhas legendas amarelas?

Em resumo, é um filme muito bom para quem quer diversão. Nem percebi as 2h24min de história de tão empolgado que estava... aliás, estou! Sai do cinema e corri para casa para escrever esta resenha!

Recomendo!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Papo de Quadrinho viu: Star Trek

Por Társis Salvatore

Para manter a tradição de respeito deste blog a seus leitores, não há spoilers nesta nota...

Em 1966, Gene Roddenberry ousou criar um futuro de igualdade entre os sexos, de integração racial e de concordância entre as múltiplas culturas na Terra. Um futuro que, graças à tolerância e à paz, elevaria o homem ao seu verdadeiro destino: ascender às estrelas para desempenhar, finalmente, um papel agregador no universo.

Talvez por estar onde nenhum homem jamais esteve, em seus mais de 40 anos de séries, filmes, livros e gibis, Jornada nas Estrelas assumiu uma posição icônica na cultura pop mundial.

Roddenberry criou personagens carismáticos, alavancados por interpretações marcantes de atores talentosos da época. Um grupo fiel de fãs manteve Star Trek, como é conhecido hoje, no ar, e o restante você já sabe.

O que você ainda não sabe é que no novíssimo filme da franquia um nome faz a diferença: J.J. Abrams (Lost, Missão Impossível III).

O diretor acertou em cheio quando voltou as atenções para as raízes do seriado de 1966 - segundo ele, a única maneira de chegar ao futuro de Star Trek. Abrams brinda os fãs com um filme que consegue ser fiel às origens do seriado ao mesmo tempo em que dá novo fôlego à franquia ao recriar a tripulação clássica da U.S.S. Enterprise: o Capitão Kirk, o Doutor McCoy, o Sr. Spock, a Tenente Uhura, o Sr. Sulu, o Sr. Scott, e Sr. Checov.

A atualização necessária de Abrams não perdeu de vista o poder dos heróis clássicos. Isso fica evidente em cada detalhe, do figurino ao design das naves, passando, claro, pela seleção do elenco.

Este último merece destaque. Todos os jovens atores que encararam a difícil tarefa de interpretar os personagens da tripulação clássica se saíram à altura do desafio - ou por que não dizer, da homenagem.

Chris Pine, o novo Capitão Kirk, entendeu que precisaria seguir seu próprio caminho e fez um trabalho convincente. Inspirado em William Shatner, tem tudo para transformar o “velho” Capitão Kirk em um “novo” ícone da atual geração de fãs. O Sr. Spock de Zack Quinto é outro acerto que impressiona pela segurança. Merece os elogios do astro Leonard Nimoy, que interpreta o vulcano primordial e, ao mesmo tempo, recebe uma justa homenagem. O polivalente Karl Urban é absolutamente real como o Doutor “magro” McCoy. Eric Bana, como o vilão romulano Nero, impõe respeito, talvez mais do que Khan (de Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan)

A história não se perde no maneirismo nerd. É enxuta. É vibrante. Tem momentos de tirar o fôlego sem desrespeitar a mitologia de Roddenberry, e não podia ser diferente.

O filme narra o primeiro encontro dessa tripulação, ainda na academia. No desenrolar dos acontecimentos, mostra as motivações de cada um e como esses novatos começam a formar a tripulação classica. Afinal, o destino da galáxia está nas mãos de amargos rivais de mundos bem diferentes...

Kirk começa o filme como um adolescente rebelde de Iowa, sempre em busca de emoções, um líder por natureza à procura de uma causa. Seu contraponto é o vulcano. Spock é um jovem em ascenção, mal visto por ser metade humano. Ambos partem para a academia da Federação a fim de descobrir quem realmente são e o que têm a oferecer ao mundo.

O que chama atenção é que a equilibrada ponte entre esses elementos - o conceito velho e a roupagem nova - deve agradar tanto aos fãs mais fiéis do seriado quanto àquele espectador que procura diversão em um bom filme de ação. Porque, antes de mais nada, o novo Star Trek é um ótimo filme de ação, superando os filmes anteriores.

Star Trek, ou Jornada nas Estrelas como preferem os mais velhos, é uma das maiores séries de ficção científica já criadas. E esse novo filme tem boa chance de ser a coqueluche do verão americano, e de quebra, reabilitar uma franquia maravilhosa, um marco não apenas para a ficção científica como para a cultura pop mundial.

O filme é emocionante e imperdível para todos os públicos. Vida longa e próspera a Star Trek.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Papo de Quadrinho viu: X-Men Origins: Wolverine

Para manter a tradição de respeito deste blog a seus leitores, não há spoilers nesta nota...

A vantagem de não ser fã de determinado personagem dos quadrinhos é que você pode assistir a uma adaptação dele de maneira descompromissada. Gosto de Wolverine como gosto de muitos outros super-heróis, nem mais nem menos. Li muita coisa dele e deixei de ler outras tantas, inclusive a HQ Origem, que serviu de base para parte do filme que estreou hoje nos cinemas.

Assistindo a ele, não sei precisar quanto da cronologia de Wolverine foi alterada nem se as adaptações necessárias vão incomodar os fãs mais fiéis.

Então, no papel de leitor “descredenciado” posso afirmar que X-Men Origins: Wolverine é um ótimo filme de super-herói. O roteiro é bem construído, as cenas de ação são convincentes e Hugh Jackman volta a abraçar o personagem com tal paixão que é difícil não se deixar levar pela trama.

Da mesma forma que uma boa HQ dos X-Men, o longa-metragem tem um grande número de mutantes. Porém, diferente daqueles filmes em que há mais personagens que história, neste cada um deles aparece na medida suficiente para cumprir seu papel. Neste quesito, destaque para Gambit, que tem carisma e potencial para ganhar maior destaque em futuros filmes da franquia.

Uma alteração notória com relação às HQs é o que levou Wolverine a se tornar a Arma X. É diferente de tudo que já li e assisti a respeito (inclusive na nova animação Hulk vs. Wolverine). Mas, sinceramente, esta passagem do filme está tão bem amarrada ao roteiro que não importa.

Sim, o filme tem seus momentos piegas. Cenas desnecessárias, como Wolverine andando para a câmera enquanto uma parede de fogo cobre o fundo ou quando ele carrega Raposa Prateada no colo em direção ao pôr-do-sol. São poucas, descartáveis e não comprometem o resultado final.

Dois momentos ainda merecem menção. Um deles é a sequência dos créditos iniciais, com Wolverine e Dentes-de-Sabre lutando lado a lado nas mais diferentes guerras, da Secessão ao Vietnã, um cuidando do outro, como os irmãos devem fazer.

A outra é o final, que reserva a agradável aparição surpresa de um importante personagem do Universo Marvel e faz a deixa para os fatos futuros que viriam a ser apresentados no primeiro filme dos X-Men.

Resumindo: X-Men Origins Wolverine é uma excelente diversão. Respeita o leitor de quadrinhos e tem todos os ingredientes para agradar os leigos. Vá assistir. Correndo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Papo de Quadrinho viu: Sob o Capuz

O mini-documentário fictício acompanha a animação Contos do Cargueiro Negro no DVD lançado dia 24 de março e funciona como complemento do longa-metragem Watchmen. Não chega a ser um documentário. O formato está mais para uma reportagem nos moldes do programa americano 60 Minutes.

O jornalista Larry Culpeper reapresenta uma entrevista feita em 1975 com Holis Mason pouco depois dele lançar a autobiografia Sob o Capuz e quando o decreto Keene, que proibiu a atividade de vigilantes mascarados, já estava em discussão no Senado americano.

Stephen McHattie dá um show como o velho Holis Mason/Coruja. Na entrevista, revela tudo aquilo que os leitores de Watchmen conheceram por meio dos capítulos do livro publicados dentro HQ: a carreira policial, a influência das primeiras histórias em quadrinhos de super-heróis, a escolha do uniforme e do nome Coruja, o surgimento dos demais mascarados, a formação dos Minutemen.

O programa ouve outros protagonistas desta história: Sally Júpiter, a primeira Espectral; Lawrence Shexnayder, ex-marido e ex-agente de Sally; o vilão aposentado Moloch, o Místico; e Wally Weaver, ex-colega do Dr. Manhattan.

Na parte destinada a ouvir as pessoas da rua, uma grata surpresa: Bernard, o jornaleiro, é um dos entrevistados.

Ou seja: com exceção da Espectral, todos aqueles personagens que apareceram pouco ou nada no filme Watchmen ganham destaque neste extra.

O programa tem 37 minutos, é muito bem feito, tem ritmo e informação na dose certa. As cenas “históricas” dos Minutemen em ação - em vídeo ou fotos envelhecidos - são de encher os olhos. Os comerciais que interrompem o programa são a cereja do bolo: um do perfume Nostalgia, de Adrian Veidt, outro de um relógio de pulso digital e o último sobre um revolucionário produto para limpar privadas!

Se a animação de Contos do Cargueiro Negro decepciona sob diversos aspectos, o mesmo não acontece com Sob o Capuz. O programa capta aquilo que o texto de Holis Mason tem de melhor e essencial, e dramatiza-o de forma espetacular.

Se você gostou da sequência de abertura de Watchmen, vai adorar Sob o Capuz.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Papo de Quadrinho viu: Contos do Cargueiro Negro

A “história dentro da história” de Watchmen ganhou uma animação por ocasião do lançamento do filme e está disponível em DVD e Blu-Ray desde 24 de março.

Com duração de 25 minutos, o desenho tem produção e roteiro co-escrito pelo diretor de Watchmen, Zack Snyder. O personagem principal foi dublado por Gerard Butler, o Leônidas de outra adaptação dos quadrinhos dirigida por Snyder, 300.

Contos do Cargueiro Negro é uma HQ fictícia narrada paralelamente aos eventos de Watchmen. É, ao mesmo tempo, uma homenagem aos quadrinhos clássicos de piratas e terror e uma metáfora da trama principal, em que um homem comete atos hediondos pensando no bem comum.

A história conta a tentativa desesperada de um náufrago para salvar a cidade de Davidstown depois que teve seu navio atacado pelos sanguinários piratas do Cargueiro Negro. Navegando uma balsa construída com os cadáveres de sua tripulação, o capitão enfrenta tubarões, a fome, a solidão e a loucura. Quando finalmente chega a seu destino, descobre dolorosamente que se transformou no próprio horror que pretendia combater e se junta à tripulação maldita do Cargueiro Negro.

O desenho foi produzido de forma competente. O problema é que narrada assim, de uma só tacada, a história perde aquilo que tem de mais impressionante nos quadrinhos: a tensão crescente, a forma como que, homeopaticamente, o leitor vai sendo conduzido para dentro da loucura do capitão de Davidstown.

Na adaptação para a linguagem animada, algumas falas (poderosas) criadas por Alan Moore foram suprimidas, enquanto que algumas sequências, dramatizadas. Claro, faz parte dos ajustes necessários na transição de uma mídia para outra, mas a conclusão é que Contos do Cargueiro Negro funciona muito melhor nos quadrinhos que no desenho animado.

A trilha sonora dos créditos finais é um capítulo à parte: Pirate Jenny (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill , interpretada por Nina Simone. “(...) And the ship / The black freighter /Disappears out to sea / And On It Is Me”.

domingo, 29 de março de 2009

Papo de Quadrinho viu: Mulher-Maravilha 2009

Este blog teve acesso à nova animação da princesa amazona, lançada exclusivamente em DVD nos Estados Unidos no início do mês.

Tecnicamente, o desenho se iguala aos similares lançados pela DC/Warner até então: Superman: Doomsday, Liga da Justiça: A Nova Fronteira e Batman: Gotham Knights, mostrando que a editora ainda domina esta mídia (apesar de que o lançamento do ótimo Hulk Vs. pela Marvel começa a ameaçar este hegemonia).

O destaque fica para as cenas de luta e as duas batalhas campais das amazonas contra as hordas de Ares, uma no início e outra no final da história. Algumas cenas podem ser consideradas impróprias para crianças já que corpos trespassados por espadas e cabeças decepadas são comuns.

Salvo algumas licenças dos roteiristas, a origem da Mulher-Maravilha está toda lá: as amazonas libertando-se do jugo dos homens, a Ilha Paraíso, a queda acidental do avião de Steve Trevor, o torneio que elege a princesa Diana na embaixadora das amazonas.

O problema são algumas caracterizações. Hipólita, Ártemis e Diana – num meio termo entre a garota ingênua e a mulher predestinada a se tornar uma heroína – estão ótimas. Por outro lado, Steve Trevor parece um adolescente que não consegue controlar seus hormônios (ele chega a tentar embebedar Diana para seduzi-la) e Etta Candy, em rápida aparição, é uma garota fútil que parece só ter olhos para Steve.


Mas não é nada que tire o brilho desta nova animação da DC. É uma boa diversão que deve ser vista mais de uma vez.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Papo de Quadrinho viu: Watchmen, O Filme

A convite da Paramount, Papo de Quadrinho assistiu ao filme numa sessão exclusiva para jornalistas.

Para que todos possam ler esta resenha sem perder o prazer de algumas descobertas, resolvi escrevê-la sem spoilers. Vamos a ela:

Watchmen, O Filme é tudo que se podia esperar e mais. Pela segunda vez, Zack Snyder provou que é possível adaptar uma HQ para o cinema mantendo a fidelidade. E neste quesito, Watchmen é o sonho dos fãs da obra de Alan Moore e Dave Gibbons. Muitos enquadramentos, a maioria, foram retirados diretamente da HQ.

É bem verdade que Watchmen, o quadrinho, é uma história fechada, muito diferente de um personagem que tem décadas de existência e em que é preciso selecionar os momentos mais marcantes de sua extensa mitologia.

Por outro lado, Watchmen é denso, complexo e cheio de referências. Snyder manteve a fidelidade não só na forma; foi fiel também ao clima do original: Watchmen, O Filme é denso, complexo e cheio de referências.

Zack Snyder tem total domínio da linguagem cinematográfica e de Watchmen, o quadrinho. Do último, soube extrair o que ela tem de essencial; da primeira, os recursos necessários para fazer um filme inteligível.

Como toda adaptação, esta também tem omissões, condensação de várias passagens e diálogos em uma única cena e, claro, invenções. Na verdade, mais que inventar, Snyder “estica” determinados momentos da HQ para dar “vida” àquilo que, nos quadrinhos, o leitor apenas imagina na transição de um quadro para outro, de uma página para outra.

O filme evidencia alguns fatos que, na HQ, são apenas insinuados (os quais não vou revelar aqui para, como disse antes, não estragar a surpresa). A comentada mudança no final está confirmada: nada de lula mutante gigante. Mas, na minha opinião, o roteirista encontrou uma solução bastante interessante.

De todas omissões, a que mais senti falta foi Bernard e Bernie, o jornaleiro e o garoto que lê Contos do Cargueiro Negro encostado na banca de jornal. Eles aparecem apenas naquele abraço final antes da explosão. Tudo indica que tenham sido sacrificados para que o filme ficasse de um tamanho minimamente comercial.

Só a abertura vale por um filme inteiro. Em intermináveis quatro minutos, ao som de Bob Dylan o espectador é apresentado a fotos e cenas dos Minutemen, o grupo de heróis dos anos 40 que antecedeu os Watchmen. O clima é “folk”, as imagens, lúdicas, resgatando o ambiente de inocência da Era de Ouro dos heróis.

O elenco é um capítulo à parte: Jackie Earle Haley é Rorschach, de máscara ou sem ela; Jeffey Dean Morgan é a figura tragicômica do Comediante.

Por outro lado, Patrick Wilson está muito bem como Daniel Dreiberg, mas fica um pouco seguro demais quando veste a fantasia do Coruja. O mesmo se pode dizer da segunda Espectral, personagem de Malin Akerman: a insatisfação com a vida forçada de heroína não fica tão evidente quanto no quadrinho.

O Ozymandias de Mattew Goode desaponta. Afetado demais, novo demais para o herói quarentão aposentado.

Carla Gugino está perfeita como a primeira Espectral nos momentos em que aparece jovem, atuando como uma Minutemen; no tempo presente, não foi “envelhecida” o suficiente para dar conta da senhora de 67 anos que vive num abrigo para idosos.

O Dr. Manhattan... bem, o Dr. Manhattan aparece quase que todo o tempo em CGI mas, mesmo assim, tem a dose de “interpretação” correta entre o semi-deus que vai se afastando da humanidade e o homem que ainda é capaz de manifestar sutis emoções.

A trilha sonora também merece destaque: o enterro do Comediante ambientado por The Sound of Silence, de Simon e Garfunkel, é de arrepiar. Quando o Comediante assassina a vietnamita que desfigura seu rosto, o que se ouve ao fundo é Me and Bob McGee, com Janis Joplin. E numa reunião de negócios de Ozymandias com um grupo de empresários, o auto-falante do prédio toca Everybody Wants to Rule the World ("todos querem governar o mundo"), do Tear For Fears.

Watchmen é um filme difícil. São 2h40 de informação ininterrupta; as cenas de ação, poucas. É um filme difícil até de classificar: não é suspense, não é aventura, não é nada parecido com o gênero de super-heróis. Está mais para um drama carregado de política, obsessão, insanidade.

Por isso, não estou certo se vai agradar a quem não é fã de quadrinhos ou desconhece a HQ original. Confesso que não consegui me abstrair, não consegui assistir ao filme com olhos de leigo. Estou curioso para saber como será a reação desta parcela do público.

Assista a Watchmen. Assista uma, duas, várias vezes. Da mesma forma que o quadrinho que deu origem ao filme – em que a cada nova leitura somos apresentados a detalhes que passaram despercebidos nas anteriores – assim é Watchmen, O Filme. É tão cheio de referências, tão cheio de detalhes que a cada nova audiência novas matizes vão se revelar.

Pode não ser o filme do ano, mas é um ótimo filme; pode não ser a melhor adaptação já feita dos quadrinhos, mas é uma ótima adaptação. Palavra de fã!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Papo de Quadrinho viu... Hulk vs. Thor

Nova seção do blog, Papo de Quadrinho viu... não terá periodicidade fixa pois vai depender do acesso a filmes e desenhos antes de sua estréia oficial.

É o caso da nova animação da Marvel, Hulk vs., que sai em DVD e Blu-Ray no dia 27. O episódio contra Thor caiu na rede - legendado - e Papo de Quadrinho viu. Então, se não gosta de spoilers, pare sua leitura aqui.

Se não liga, veja um resumão do desenho:

Durante o sono de Odin, Asgard enfrenta todo tipo de invasores: trolls, gigantes do gelo e até o demônio Surtur. Porém, desta vez, há uma ameaça maior. Loki seqüestrou Bruce Banner; com ajuda de Encantor, separa o frágil cientista do corpo de Hulk, domina a mente do monstro e investe contra o Reino Dourado.

Com exceção de Thor, vários asgardianos tombam, entre eles os Três Guerreiros – Fandral, Volstag e Hogun – e Balder. Porém, Loki perde o controle da criatura que, sem Banner para refrear sua fúria, deixa Thor à beira da morte e inicia uma destruição sem precedentes em Asgard. Seu destino: a câmara onde Odin repousa.

Thor é salvo do toque de Hela pela arrependida Encantor e vai ao encalço de Loki. O Deus da Trapaça, porém, já havia assassinado Banner, a única esperança de salvação para Asgard. Os irmãos, então, partem para o reino de Hela a fim de resgatar a alma do mortal.

Nesse meio tempo, Hulk está cada vez mais próximo da câmara de Odin, com apenas Encantor e Sif a bloquear seu caminho. Ele as derrota e no momento em que se prepara para atacar o corpo inerte do soberano de Asgard, é transportado para Hel por Hela, que foi convencida por Loki a reivindicar a alma do monstro.

Em Hel, Thor e Loki se unem em mais uma violenta batalha contra Hulk. Quando estão quase à mercê do Gigante Esmeralda, Bruce Banner - que até então resistia a unir-se ao monstro novamente – reconsidera, funde-se a Hulk e faz com que ele finalmente se acalme.

Ao perceber a ameaça que Hulk representa para seu reino, Hela decide mandá-lo de volta à Terra. Como compensação por ter perdido a alma de Banner, a Deusa da Morte mantém Loki preso em Hel.

Odin finalmente desperta e presta homenagens a todos asgardianos que defenderam Asgard durante seu sono. Mas, especialmente, rende homenagem ao mortal Bruce Banner, que fez o maior dos sacrifícios para salvar um povo que sequer é o seu.

Com esta animação, a Marvel finalmente acertou a mão e ameaça seriamente a hegemonia da DC nessa mídia. Hulk vs. Thor é infinitamente superior aos desenhos do Homem de Ferro e do Doutor Estranho - nem tanto em termos de técnica e sim de roteiro, fidelidade aos conceitos das HQs e caracterização dos personagens.

Quem curtiu a luta entre Thor e Hulk no primeiro desenho dos Supremos, vai delirar com o confronto dos dois gigantes neste aqui. São 45 minutos de ação quase ininterrupta e diálogos bem construídos.
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