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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vale o Investimento: Taikodom: Eterno Retorno

Por Társis Salvatore

O Taikodom é um projeto sci-fi ambicioso, que culmina em um game online gratuito em que inúmeras batalhas espaciais simultâneas acontecem. Seu universo foi minuciosamente desenvolvido para trazer ao taikonauta a experiência real de como seria viver em uma utopia espacial no século 23.

Para divulgar o game e explorar um pouco mais a mitologia deste universo, a Devir e Hoplon Infotainment, empresa brasileira que criou o game, lançam Taikodom: Eterno Retorno, a primeira investida da Coleção Taikodom nos gibis. A parceria já rendeu inúmeros contos e dois ótimos livros que podem ser vistos aqui.

A história deve chamar atenção mesmo dos fãs de ficção científica que nunca jogaram o Taikodom por se tratar de um trabalho interessante, minucioso e complexo, magistralmente desenvolvido pela equipe da Hoplon que trabalhou em paralelo à criação do game.

A Hoplon chegou a disponibilizar scans oficiais dos primeiros dois capítulos de Eterno Retorno, dando um gostinho de “quero mais” aos fãs do game e leitores de quadrinhos em geral. Uma prévia pode ser baixada aqui.

A trama da minissérie convida o leitor a acordar em pleno século 23 e a se deparar com uma utopia onde a morte foi vencida, mas o sofrimento da humanidade permanece.

O protagonista, Gao Jung, foi “despertado”, pois suas habilidades e estratégias heterodoxas, em tempos em que seguir padrões é a regra, serão seu trunfo e sua tragédia. Coloque-se na pele do herói e responda: num mundo onde os melhores lugares já estão ocupados, e ocupados para sempre, qual vai ser o seu lugar?

A história conta ainda com a bela arte do ilustrador Ferrara, valorizando o trabalho numa mistura o estilo das HQs europeias com os mangás.

O primeiro volume de Taikodom: Eterno Retorno tem 56 páginas e preço sugerido de R$ 22,50. Há dois lançamentos já programados: em São Paulo, dia 15, na Fnac Paulista, e em Florianópolis, dia 26, na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping. Mais informações aqui.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vale o Investimento: Capitão América: Operação Renascimento

Em tempos de Reborn – a minissérie que vai trazer o Capitão América (de novo!) de volta à vida – a Panini acerta ao lançar este encadernado que trata da morte do personagem numa outra época.

1995, para ser mais exato. A competência de Mark Waid como roteirista já é conhecida e, neste arco de histórias, ele justifica a fama. A premissa é bastante criativa: o mesmo soro do supersoldado que concedia poderes ao Capitão América passa a degenerar seu corpo.

A solução, brilhante: uma transfusão de sangue do único ser vivo que carrega o mesmo soro nas veias, com uma agravante – este homem é seu maior inimigo, o Caveira Vermelha.

Soma-se a isto a volta de outro personagem dado como morto – a ex-agente da SHIELD e ex-amante do Capitão, Sharon Carter – e tem início uma caçada ao Cubo Cósmico, em poder de um grupo neonazista.

Claro que tudo não passava de um plano do Caveira para recuperar o Cubo e brindar os leitores com uma viagem ao passado do Capitão, com direito a aparições de Bucky – nesta época também dado como morto – e até dos Invasores.

Quase imediatamente à conclusão deste arco, Waid conduz o Capitão América a uma segunda “morte”, esta metafórica: ele é acusado de traição e expatriado dos Estados Unidos. Nada poderia ser pior para o mais patriótico dos heróis.

O Capitão precisa limpar seu nome, enfrentar o andróide Mecanus e evitar um holocausto nuclear, ainda que para isso precise aliar-se novamente a um inimigo, o Doutor Destino.

O ritmo frenético do roteiro é potencializado pela arte de Ron Garney, nem tanto por sua técnica (que não é ruim) e mais pela diagramação e enquadramentos dinâmicos.

Capitão América: Operação Renascimento está nas bancas por R$ 29,90 e vale o investimento. É um tijolo de 268 páginas com ação do início ao fim, reunindo 10 edições (Captain America 444 a 448 e 450 a 454).

Altamente recomendável.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vale o Investimento: Luluzinha Teen

Em primeiro lugar, estou muito, muito fora do público-alvo da revista (jovens entre 12 e 16 anos). Nem tenho filho nessa idade... Mesmo assim, fui conferir a novidade.

Luluzinha Teen segue uma tendência mundial, a de “crescer” personagens antes voltados ao público infantil. Entre nós, o exemplo mais evidente é a Turma da Mônica Jovem, de Maurício de Sousa, mas há também precedentes no mercado internacional, como Ben 10 e Meninas Superpoderosas.

Qual o mal disso? Nenhum. A audiência cresceu, então nada mais natural que as editoras façam o mesmo com seus personagens.

Luluzinha Teen tem ritimo de Malhação: namoricos, mistérios, turmas rivais. Tenho a impressão de que são esses os temas que atraem os tweens hoje em dia e que justificam o suposto sucesso da revista (tiragem declarada de 100 mil exemplares por mês).

Os personagens também lançam mão de toda a parafernália eletrônica da chamada Geração Y: videogames, internet, mídias sociais, celulares e – isso eu acho uma boa sacada – um blog de verdade que não só interage com a trama como também traz outros assuntos.

O maior problema dessa nova turma da Luluzinha é que ela poderia ser qualquer turma. Muito diferente do que acontece com a Mônica Jovem (a comparação é inevitável), a caracterização dos personagens "crescidos" não remete de modo algum aos modelos originais.

Os criadores tentam driblar isso abrindo cada edição com uma breve apresentação dos protagonista e inserindo referências a fatos do “passado” na trama. Funciona? Sim, mas também exige uma grande dose de boa vontade dos leitores, pelo menos dos mais veteranos.

O maior mérito de Luluzinha Teen, como eu disse em posts anteriores, é ser uma criação brasileira, uma concessão da licenciadora mundial exclusiva para nosso mercado. E também o fato de ser escrita e desenhada aqui, o que abre novas oportunidades para nossos profissionais.

No geral, a revista vale o investimento de R$ 6,40 por edição e o tempo gasto para ler as 96 páginas. Os roteiros são bem feitos, a linguagem é adequada ao público-alvo e a arte não envergonha, mesmo havendo a opção pelo "mangá".

Se tiver oportunidade, leia pelo menos uma edição para formar seu próprio conceito e não se deixar levar por críticas que, muitas vezes, são influênciadas apenas pela resistência a se modernizar personagens que marcaram a infância de muita gente.

Eu gostei.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vale o investimento: Eu, Wolverine

De todos os especiais que a Panini programou para pegar rabeira na estréia do filme X-Men Origins: Wolverine, o encadernado Eu, Wolverine é, de longe, o melhor.

Se o mutante canadense goza de tanta popularidade nos dias de hoje, isto se deve, em grande parte, a esta minissérie produzida por Chris Claremont (roteiro) e Frank Miller (desenhos) em 1982.

É verdade que o personagem já vinha se destacando antes disso nas histórias dos X-Men escritas pelo próprio Claremont - era o auge do arco da Ninhada, um dos melhores da revista Uncanny X-Men até então.

No entanto, foi a partir desta mini que Wolverine ganhou uma profundidade e humanidade até então nunca exploradas. Se depois disso os roteiristas exacerbaram estas qualidades e transformaram o mutante no maior "arroz de festa" da Marvel, isso é outro problema!

Em Eu, Wolverine, o x-man viaja ao Japão atrás de sua amada Mariko Yashida, que fora obrigada a se casar com outro homem por dever de família. Chegando lá, ele é humilhado pelo pai de Mariko e enredado numa trama que quase lhe custa a vida. É a verdadeira jornada do herói, em que o personagem é retirado de sua zona de conforto e retorna transformado.

Tudo bem que esta pode ser considerada a fase áurea de Chris Claremont (Deus Ama, o Homem Mata é do mesmo ano), mas é evidente a participação de Miller no roteiro. Por outro lado, todos sabemos que como desenhista, Frank Miller é um ótimo roteirista. Nessa mini, porém, suas limitações artísticas foram corrigidas pela competente arte-final de Josef Rubinstein.

No final, o que fica são os enquandramentos inusitados, a narrativa fluida, o uso das silhuetas e as cenas de luta coreografadas - antecipando o que Miller faria pouco tempo depois em Ronin.

Eu, Wolverine chegou ao Brasil pela Ed. Abril em 1987 numa minissérie em quatro partes, ainda em formatinho e papel jornal. O lançamento da Panini resgata a importância desta HQ ao lhe dar o devido tratamento: formato americano, papel especial e capa dura. O encadernado traz, ainda, o desfecho da história - publicado originalmente na revista Uncanny X-Men #172 e 173 - com desenhos de Paul Smith.

Vale o investimento de R$ 26,90 de olhos fechados.
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