terça-feira, 17 de março de 2009

MAD comemora aniversário com palestra e balada

Para marcar o primeiro ano de publicação da nova fase da revista MAD, pela Panini, o editor Raphael Fernandes organizou dois eventos.

O primeiro é nesta sexta (20), na Quanta Academia de Arte. A partir das 18h, será feita a venda da edição comemorativa (e das anteriores); das 19h às 20h, Raphael avalia portfólios para futuras colaborações; e depois das 20h30, bate-papo com o pessoal que faz a revista.

Endereço da Quanta: Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246, na Vila Mariana.

No sábado da próxima semana (28), acontece uma festa na HQMix Livraria. Raphael promete a presença de bandas de rock, malabaristas e do pessoal da revista. A entrada é gratuita.

A HQMIX fica na Praça Roosevelt, 142 – Centro de São Paulo.

Leia entrevista com o editor Raphael Fernandes sobre um ano de MAD aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Watchmen despenca nas bilheterias americanas

Em que pese tratar-se de um filme classificação “R” (menores de 17 anos acompanhados de pais ou responsáveis) e de longa duração (2h40), a adaptação de Zack Snyder para a obra de Alan Moore e Dave Gibbons não segurou o ímpeto do fim de semana de estréia.

Entre os dias 13 e 15, Watchmen, O Filme arrecadou parcos US$ 17,8 milhões nos Estados Unidos, uma queda de 67,7% na comparação com os US$ 55,7 milhões do primeiro fim de semana (6 a 8).

Ao redor do mundo, a queda não foi tão grande: US$ 21,3 milhões contra US$ 27,5 milhões no mesmo período.

No acumulado dos primeiros 10 dias de exibição, Watchmen arrecadou US$ 134,6 milhões. Ou seja, ainda não pagou os US$ 150 milhões investidos na produção.

A título de comparação, 300, do mesmo Zack Snyder (e uma adaptação muuuito menos aguardada) fez US$ 70,8 milhões no fim de semana de estréia e US$ 32,8 milhões no seguinte, nos Estados Unidos. Apesar de uma queda considerável (53,6%), foi um resultado absoluto e relativo melhor que o de Watchmen. Especialmente por se tratar de um filme mais barato: US$ 65 milhões.

Pronto. Agora os críticos podem comemorar.

Mais vendidos nos EUA: Aranha e Obama lideram de novo

No competitivo – e abundante – mercado de comics, não é comum uma mesma revista de linha manter-se no topo da lista dos mais vendidos por dois meses consecutivos.

Foi o que aconteceu em janeiro e fevereiro com Amazing Spider-Man 583, que marca o encontro do Escalador de Paredes com o presidente norte-americano Barack Obama (a história já está nas bancas brasileiras pela Panini).

A edição está na quinta impressão e superou, em fevereiro, a aguardada história de Neil Gaiman para Batman, Whatever Happened to the Caped Crusader, publicada em Batman 686.

No mês, a Marvel emplacou oito títulos entre os 10 mais vendidos (veja lista completa abaixo), o que lhe garantiu um market share (participação nas vendas totais) de 47,8% em número de exemplares vendidos e 44,7% em faturamento.

A DC amargou 28,2% e 26,3% respectivamente.

Entre os encadernados mais vendidos do mês deu Watchmen na cabeça, certamente embalado pela estréia do longa-metragem nos cinemas no início de março.

Veja as HQs mais vendidas nos Estados Unidos em fevereiro:

1) Amazing Spider-Man 583
2) Batman 686
3) New Avengers 50 (Dark Reign)
4) Thor 600
5) Dark Avengers 2 (Dark Reign)
6) Hulk 10
7) Mighty Avengers 21 (Dark Reign)
8) Mighty Avengers 22 (Dark Reign)
9) Uncanny X-Men 50610) Justice League of America 30 (Origins)

5 Perguntas para Alex Mir

Alex Mir tem 33 anos e escreve desde os 12. Começou com matérias para as revistas Escalla News (Editora Escalla) e HQMania (Editora Magnum) e, depois de um tempo, partiu para a produção de quadrinhos. Em 2007, lançou Defensores da Pátria e Tempestade Cerebral, que já está no quarto número. No mesmo ano, publicou na revista Prismarte a história Um dia Quente em Cancun, que lhe valeu os prêmios de melhor roteirista, melhor personagem e melhor história no evento Melhores da Prismarte.

O editor da Tempestade Cerebral responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:


1) Tempestade Cerebral mistura diferentes gerações de autores numa mesma edição. Como é feita a seleção das histórias?
Para as primeiras edições, entrei em contato com alguns amigos e pedi algumas HQs para entrar na TC. Fiz uma seleção das histórias que recebi e distribuí pelas quatro edições. Em cada uma, busco publicar uma HQ fechada de outro autor, mas com o mix cada vez mais fechado, a tendência é que essas histórias fiquem mais raras. Para a edição de aniversário, lançada em dezembro passado, fui atrás daqueles autores que eu já conhecia e dos quais era fã, e fiz o convite para participarem da revista. A maioria aceitou.
Estou tentando montar um mix definido para a revista e cada vez chego mais perto disso. Hoje, por exemplo, temos quatro séries regulares:
Valkíria, Escorpião de Prata, Max Power e Força Mística. A partir da quinta edição, entra o Lorde Kramus. Tenho programadas para este ano as edições 5, 6 e 7 (esta será lançada no FIQ, em outubro) e já estou programando as edições para o ano que vem.

2) A revista chama atenção pela qualidade gráfica (formato flip-flap, papel e impressão de qualidade, várias capas). Como você faz para manter o título financeiramente viável?
A revista ainda não se paga, mas para uma publicação independente tem vendido bem. Todos os custos ainda saem do meu bolso, mas estou em negociação com alguns anunciantes já para publicação de anúncios na TC 5. Com quatro edições lançadas, a negociação fica um pouco mais fácil. O anunciante tem mais confiança de investir seu dinheiro.

3) Como é feita a distribuição de Tempestade Cerebral e como estão as vendas?
A TC é uma das revistas distribuídas pelo Quarto Mundo (coletivo de produtores independentes de quadrinhos). Aqui no ABC eu mesmo distribuo nas bancas. A revista tem uma saída boa também pela internet (orkut, e-mail, loja virtual Bodega, Comix). As vendas, apesar de ainda não pagarem os custos totais da revista, vêm aumentando a cada edição e isso nos anima a continuar, saber que a cada número a TC ganha mais leitores.

4) Qual sua base teórica como roteirista?
Eu leio muito desde que me conheço por gente. Como roteirista, sou autodidata. Mas sempre há a necessidade de aprimoramento, principalmente da parte técnica. Para escrever também existem macetes. Por isso estou fazendo o curso de roteiro de quadrinhos e cinema da Quanta e já fiz um de roteiro do SENAC. Tenho lido alguns livros como o Guia Oficial de Roteiros da DC Comics e A Palavra em Ação, do Marcelo Marat, publicado pela editora Marca de Fantasia.

5) Quais roteiristas estrangeiros e nacionais você admira?
Dos estrangeiros gosto muito dos escritores do Reino Unido. Meu preferido é Alan Moore. Eu admiro muito a facilidade que ele tem de lidar com alguns assuntos e transformá-los em ótimas histórias em quadrinhos. Monstro do Pântano, por exemplo, é puro xamanismo. Só Alan Moore consegue transformar o conceito do xamanismo em uma obra magnífica. Isso o diferencia dos outros. Qualquer outro roteirista poderia pegar esses conceitos e tentar utilizar no Monstro do Pântano, mas não conseguiria o mesmo resultado. O outro é Grant Morrison. O Homem Animal dele mudou muitos dos meus conceitos de como se contar histórias em quadrinhos. Essa fase do personagem ficou marcada pra mim. O Evangelho do Coiote está entre minhas histórias preferidas. Uma das melhores que eu já li em minha vida.
Dos nacionais, gosto muito do Wellington Srbek. Um dos meus primeiros contatos com material independente se deu no final da década de 90 na Bienal do Livro, onde adquiri edições da revista
Solar, criação dele. Naquele momento, eu percebi que era possível fazer quadrinho nacional de qualidade e mais, que no Brasil existiam, sim, roteiristas. E bons. Fora o fato de que o Srbek escreve muito! Além do Solar, destaco Muiraquitã e Estórias Gerais.


Mesmo com a revista Tempestade Cerebral caminhando para manter um mix cada vez mais fechado, Alex Mir garante que o espaço para novos autores continuará existindo. A preferência é por histórias fechadas, com no máximo oito páginas e do gênero Aventura (não obrigatoriamente de super-heróis).

Os interessados podem encaminhar o material para avaliação pelo e-mail alexandre1736@gmail.com.

Action Comics #1 vendida por US$ 317 mil

No leilão encerrado nesta sexta-feira (13), um exemplar da revista que marca a estréia do Superman nos quadrinhos foi vendida por US$ 317,2 mil (algo em torno de R$ 745 mil).

O resultado ultrapassou, e muito, a expectativa dos especialistas, que estimaram conseguir US$ 126 mil quando o leilão começou, dia 27 de fevereiro. Neste período, a revista recebeu 89 lances.

Action Comics #1 foi lançada originalmente em junho de 1938. À época, a HQ que valia 10 cents de dólar; o dono da revista garante que pagou 35 cents quando a adquiriu, em 1950. Estima-se que existam apenas umas 100 cópias desta HQ nos dias de hoje.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Como são feitos os scans

Algum tempo atrás, fiquei surpreso ao descobrir que as cópias de quadrinhos na Internet são tão abundantes e populares quanto jogos, programas, músicas, filmes e seriados. São os chamados scans.

(Ao lado, graphic novel de Stan Lee e Jack Kirby, de 1978, inédita no Brasil e disponível em scan)

Descobri também que há vários grupos de pessoas dispostas a investir parte do seu tempo e talento na tradução dos balões, legendas, títulos e demais textos das histórias. Tudo isto sem aferir nenhum lucro financeiro, apenas por amor de fã e para facilitar a vida dos leitores brasileiros. Por derivação, são chamadas de scanlators (algo como "tradutor de scans").

Papo de Quadrinho entrevistou um scanlator para entender como funciona este processo.

Tudo começa no país de origem, quando um leitor adquire uma HQ recém-lançada e a digitaliza no seu computador pessoal. As páginas digitais são agrupadas em arquivos compactados - normalmente no formato CBR ou CBZ (abertos por descompactadores como Winzip ou lidos diretamente pelo programa CDisplay) ou PDF (lido pelo programa Adobe Acrobat Reader) - e disponibilizadas em sites, blogs ou outros compartilhadores (e-Mule, torrent).

Aqui no Brasil, grupos de scanlators baixam este arquivo e começam a tradução. "Existem inúmeros scanlators, alguns 'especializados' só em Marvel ou DC, ou em ambas, ou só em materiais de editoras independentes, ou só em mangás, e há também aqueles que misturam tudo", diz nossa fonte, que não faz questão de se identificar.

O tradutor de um grupo nem sempre é fluente na língua estrangeira de origem. A tradução é feita em programas de edição de texto como Word ou no Bloco de Notas do Windows, e enviada para um revisor - alguém que conhece bem tanto a língua portuguesa quanto a original - para que sejam feitas correções e adaptações. Em alguns casos, esta etapa é suprimida.

O próximo na linha de produção é o diagramador. Por meio de um programa de edição de imagens, normalmente o Photoshop, os balões e legendas são apagados e preenchidos com a tradução revisada. Quando é possível, os títulos das histórias também são substituídos.

"Com a revista pronta, alguém do grupo - geralmente o último que 'tocou' na revista - faz o upload (transferência do computador local para um servidor na Internet) e disponibiliza no site ou blog de seu grupo para o leitor fazer o download", explica o scanlator.

Normalmente, a versão traduzida pode ser baixada uma semana após o lançamento no país de origem. Mas isso varia de acordo com o tempo livre dos envolvidos no processo.

"Por ser um trabalho amador, erros de português, de tradução ou de diagramação acontecem. Mas tentamos fazer da forma mais rápida e com a melhor qualidade possível".

Página de Thor (vol. 3) 10, publicada nos Estados Unidos em setembro de 2008 e ainda inédita no Brasil , está disponível há meses na Internet, já traduzida

Existem muitos motivos que levam os leitores a buscar scans na Internet: conhecer uma HQ antes de decidir pela compra, manter-se atualizado com o que está acontecendo no país de origem, ter acesso a material clássico ou inédito no Brasil, ou mesmo falta de grana para comprar as revistas na banca.

Participe da Enquete na barra à esquerda e diga qual é o seu motivo.


E a lei?

Que ninguém se iluda: apesar de não haver interesse financeiro envolvido, à luz da legislação brasileira esta prática é considerada ilegal.

Segundo o advogado Gabriel Bittencourt de Aguiar, do escritório Furtado e Associados, de Santa Catarina, o artigo 184 do Código Penal e a Lei dos Direitos Autorias (9610/98) proíbem a publicidade total ou parcial de uma obra que não pertence a quem a divulga.

No primeiro caso, a pena prevista para quem viola direitos de autor e os que lhe são conexos é de três meses a um ano, ou multa. Já o artigo 5º da Lei de Direitos Autorais garante que compilação de textos legais, sua seleção, organização e outros trabalhos constantes de suas publicações constituem-se em criação intelectual, e existe a possibilidade de impor ao reprodutor clandestino a punição prevista legalmente tanto na esfera cível quanto criminal.

“Mesmo que seja possível a leitura gratuita de um quadrinho em uma banca de revista, não se pode promover a divulgação sem que haja um rechaço por parte do autor da obra, visto que, na parte criminal é uma ação condicionada à representação da vítima, assim como na esfera cível, para propositura de ação de busca a apreensão ou até mesmo uma ação indenizatória”, explica o advogado.

Mas e o fato de não haver lucro direto ou indireto por parte dos scanlators?

Aguiar esclarece: “É possível dizer que existe lucro nos acessos que o site (que hospeda o scan) recebe. Com base nisso, sou da premissa que ainda incorre em crime”.

“Por analogia – continua ele - podemos dizer que a lei de drogas tem algo semelhante: só pelo fato de distribuir drogas, o indivíduo está cometendo crime. Então, mesmo que ele não faça a venda, ele faz apologia ao crime, previsto no Código Penal, Artigo 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena - detenção de três a seis meses, ou multa”.


Qual é a saída?

Combater frontalmente as cópias ilegais na Internet, ainda que sob amparo da lei, talvez não seja a atitude mais inteligente dos detentores dos direitos. Ao vencer a guerra jurídica contra o Napster, a indústria fonográfica acelerou a proliferação da troca de arquivos P2P (peer to peer, ou ponto a ponto), em que um usuário vai buscar o arquivo distribuído em milhares de computadores de outros usuários espalhados pelo mundo.

Percebendo que esta seria uma luta inglória, muitos estúdios de TV nos Estados Unidos decidiram usar a Internet a seu favor e, hoje em dia, disponibilizam episódios inteiros de seus seriados gratuitamente no dia seguinte à exibição. Assim, atraem visitação e podem comercializar anúncios nestes espaços.

A Marvel já tem um canal de HQs digitais. O serviço ainda é pago, mas são constantes as "promoções" em que a editora disponibiliza parte do acervo para ser lido gratuitamente. Será que vale a máxima "se não pode vencer, junte-se a eles"?

Será este o futuro da indústria de quadrinhos?

Tempestade Cerebral: Melhor a cada edição

Ligada ao selo Quarto Mundo, a revista do editor e roteirista Alex Mir é uma prova de que é possível produzir HQ independente de qualidade.

Tempestade Cerebral vem apresentando uma novidade a cada edição. O número 2 trouxe pela primeira vez o formato “flip-flap” (duas capas, metade do material invertido), que acabou virando uma marca registrada do título. A edição seguinte ficou maior: passou do tamanho 14,5 x 21 cm para 16 x 25 cm.

O número 4 extrapolou: mais que dobrou o número de páginas (de 16 para 36) e veio com uma oito capas! Como não poderia deixar de ser, o preço acompanhou as mudanças para manter a viabilidade do projeto. Todas edições publicadas até agora têm capa colorida, miolo P&B em papel couché e impressão de qualidade.

Mas não é só no formato que Tempestade Cerebral mostra a que veio. O mix é uma geléia geral. Mistura personagens com anos de estrada – Crânio, Velta, Escorpião de Prata – com estreantes – Valkíria, Força-Mística e outros. Mistura “mestres” – Emir Ribeiro e Sebastião Seabra, ambos premiados no último Ângelo Agostini – com “aprendizes”.

Se por um lado o leitor tem a oportunidade de entrar em contato com diferentes gerações de quadrinhistas nacionais, por outro esta seleção torna Tempestade Cerebral uma revista irregular, com altos e baixos tanto em termos de roteiro quanto de arte.

Dos mais conhecidos não há muito que falar. Eloyr Pacheco sempre tem uma pegada bacana para seu Escorpião de Prata, que casa perfeitamente com o traço estilizado de Will. Luke Oliver mostra seu traço seguro e caprichado numa história do Crânio e numa nova série escrita por ele, Bravos!

A Velta de Emir Ribeiro dispensa comentários e fiquei feliz em ler uma história da sensual heroína assinada por Rod Gonzalez. Vidas Secas, que marca a volta do personagem Pulsar, de Arthur Garcia, e o Vingador Mascarado, de Sebastião Seabra, são outros dois bons exemplos de histórias bem escritas e desenhadas.

Das estréias, as mais consistentes em termos de arte e roteiro são coincidentemente as criações de Alex Mir, Valkíria e Força-Mística – a primeira desenhada por Alex Genaro e a segunda, por Márcio Luiz.

A trama de Força-Mística, apesar de já ter chegado à terceira parte. ainda está decolando, mas promete. Valkíria, ao contrário, é uma aventura no melhor estilo "espada e magia", bem feita e bem conduzida. Tem aquela qualidade essencial de prender o leitor e deixar um gosto de “quero mais” ao final de cada capítulo.

No balanço geral, Tempestade Cerebral é uma revista altamente recomendada. Com o tempo, deve alcançar uma regularidade maior entre as histórias, sem deixar de ser um laboratório para jovens talentos.
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