segunda-feira, 6 de julho de 2009

5 Perguntas para Antonio Cedraz

Nascido no interior da Bahia, professor formado e bancário aposentado, Antonio Cedraz começou a desenhar aos 16 anos. Em 1998, deu continuidade ao seu sonho e começou a produzir a Turma do Xaxado por sua própria editora.

Premiado com o Ângelo Agostini e colecionador de cinco prêmios HQMix, seus quadrinhos têm uma forte identidade nacional e retratam, pelos olhos de um grupo de crianças, a sofrida condição dos brasileiros que vivem no Nordeste.

Antonio Cedraz responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) As tiras da Turma do Xaxado foram publicadas em alguns poucos jornais do Sul e Sudeste. Nunca houve interesse de editar por aqui ou você encontrou resistência?
As tiras do Xaxado foram publicadas durante um ano no jornal O Sul de Porto Alegre e agora estão saindo semanalmente no caderno infantil do jornal Agora de Rio Grande (RS), e também no site Sul Mix. Saíram também em jornais de Minas e do interior de São Paulo. Sempre tive interesse em editar por todo o Brasil, mas é muito difícil. Fiz contrato com a Intercontinental Press, mas ainda não andou. Provavelmente elas saiam agora no exterior, na Revista Brasil, editada em Portugal.

2) No quadrinho nacional, os gêneros que mais deram certo foram o infantil, o humor e, no passado, o terror. Na sua opinião, porque as HQs de super-heróis e ficção científica brasileiras, por exemplo, não alcançam sucesso comercial?

Ao meu ver, as histórias de super-heróis brasileros não deram certo porque parecem sempre com os heróis americanos. Outro fator é que nós brasileiros valorizamos muito mais o que é feito lá fora. Não valorizamos a prata da casa. Um sujeito para se dar bem aqui no Brasil precisa ser reconhecido primeiro lá fora.

3) Personagens infantis como Mônica e Luluzinha passaram por uma atualização e ganharam versão para adolescentes. Você vislumbra esta possibilidade para a Turma do Xaxado no futuro?
Não, não pretendo muda a fase atual da Turma do Xaxado. Primeiro tenho que lutar para eles se tornarem conhecidos e até chegarem as bancas ou livrarias de muitos lugares, Por enquanto, as nossas publicações são restritas à Bahia mas pretendo fazer um investimento para colocar o mais rápido possível. Ando a procura de parceiros para essa empreitada.

4) Você é um dos grandes defensores do uso do quadrinho na Educação. Acredita que a recente polêmica em São Paulo, quando foram distribuídos quadrinhos impróprios para crianças de 9 anos, possa representar um retrocesso nesta área?

Através dos quadrinhos podemos mudar o quadro de falta de leitura desse nosso país e já foi mais que comprovado que os quadrinhos são uma grande ferramenta para incentivar a leitura. A pessoa começa lendo quadrinhos e aos poucos vai passando para outra forma de leitura. Não é à toa que os jornais sempre apostaram nisso. Quanto a polêmica na distribuição de livros impróprios para criança de 9 anos, ao meu ver foi por causa de uma má escolha. Os membros da comissão que selecionou a obra não souberam escolher ou então não se deram ao trabalho de ler. Não creio que vá atrapalhar as futuras escolhas, apenas foi um alerta para se escolher melhor as próximas obras.

5) Depois do lançamento do livro 1000 Tiras e da exposição itinerante, quais as próximas novidades da Turma do Xaxado?

Meu grande desafio é fazer o livro chegar às boas livrarias. Quanto ao projeto itinerante, ele está acontecendo com grande procura e interesse. Depois da Bienal do Livro da Bahia, ele já foi para o Colégio Antonio Vieira, um doa maiores de Salvador, para a Ilha de Itaparica e agora está na Biblioteca Central de Salvador. No mês de agosto estará em outro grande colégio, aqui da capital e já tem duas cidades do interior interessadas. Vamos participar também da homenagem ao 50 anos de publicação do Maurício de Sousa, com uma aventura onde o Cascão vai visitar o sertão do Xaxado. Pretendo ainda este ano lançar a revista em quadrinhos do Xaxado e até livros por editoras paulistas. Se Deus quiser!

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