segunda-feira, 30 de março de 2009

5 Perguntas para Eloyr Pacheco

Professor, articulista, editor do site Bigorna, criador do personagem Escorpião de Prata, coordenador do coletivo Syndicate Ink e da AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, Eloyr Pacheco tem uma relação premiada e de longa data com os quadrinhos.

(E, aqui, vale uma menção pessoal: conheci Eloyr na Bienal do Livro de SP de 2006 e devo muito do meu trabalho atual em quadrinhos a este encontro).

Eloyr começou a carreira de jornalista ainda em Londrina, sua cidade natal, onde trabalhou em importantes veículos de comunicação. Lá mesmo organizou um evento sobre quadrinhos, o primeiro de muitos que viria a realizar. No final dos anos 90, mudou-se para a redação da revista Metal Pesado, em São Paulo, e trabalhou ao lado de profissionais como Jotapê Martins e Álvaro de Moya. Fundou e dirigiu a Brainstore Editora, publicando muito material inédito no Brasil e também autores nacionais, como Marcelo Campos (Quebra-Queixo), entre muitos outros.

Eloyr Pacheco responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Como foi sua experiência como editor de revista na época da Brainstore? Quais eram as maiores dificuldades e como foi a decisão de encerrar as atividades da editora?
Foi uma ótima experiência. Tanto trabalhar com quadrinhos estrangeiros como nacionais foi muito bom. Ter lançado Quebra-Queixo, do Marcelo Campos; Noite de Caça, do Alexandre Dias e do Anderson Almeida; A Estranha Turma do Zé do Caixão, do estúdio Montandon e Dias, entre outros títulos nacionais, foi muito importante para mim.
A maior dificuldade de uma pequena editora era (e continua sendo) a distribuição. A Internet ajuda (e muito), mas o leitor ainda quer encontrar suas publicações preferidas na banca da esquina da sua casa ou na livraria mais próxima.
Não estou com a editora inativa por decisão minha: depois que quebrei uma perna em maio de 2004, fiquei quase uma ano em recuperação e, nesse período, perdi muitas negociações e parcerias. Quando me recuperava da fratura, meu estúdio foi arrombado e todos os meus equipamentos roubados; isso acabou de arruinar meus planos e perdi as demais parcerias que tinha por falta de um estúdio de produção.

2) A Brainstore publicava o "Lado B" das grandes editoras: Sandman Apresenta, Lobo, Hitman, Anti-Heróis DC... Qual era o critério de seleção dos títulos?
O que eu queria era isso mesmo! Publicar material alternativo, criar uma opção diferenciada para os leitores, e acho que acabei conseguindo isso naquele momento. Tenho muito orgulho de projetos como Dark Heroes (com Desafiador e Starman, por exemplo) e DC Millennium (com Novos Deuses e Impulso, por exemplo). Nem sei se alguém já publicou no Brasil tantas histórias do Lobo, Hitman e Etrigan quanto eu lancei! (Risos.) Isso me alegra porque me faz pensar que fiz o que queria: dar uma opção diferenciada para o leitor de quadrinhos.

3) Tenho lido as histórias do seu personagem Escorpião de Prata (com desenhos do Will) na revista Tempestade Cerebral. Quais são seus planos para o personagem?
Muitos. O Escorpião de Prata continua firme no mix da Tempestade Cerebral, muito bem editada pelo Alex Mir. A sequência de histórias publicada na TC faz parte do projeto que chamo de Volume 1 e que tem como característica o traço cartunesco/”adventure”, feito de maneira extraordinária pelo meu amigo Will. Na Tempestade Cerebral #5 sai mais uma pequena história do Escorpião de Prata com arte do Marcelo Salaza e tons de cinza do Lucas Tanaka. Mas o Will e o Carlos Nascimento (que segue este estilo também) vão revezar na arte de mais 20 páginas que já estão roteirizadas. Tem muito ainda o que acontecer no atual arco “Corre, Escorpião, Corre!” Posteriormente essas HQs serão reunidas em uma edição encadernada.
O Volume 2 já está sendo trabalhado. O model desta nova fase foi feito pelo Nascimento e pelo Carlus Alexandre (duas grandes promessas dos Quadrinhos) e tem como característica o traço realístico.
Há um encontro entre o Crânio, do Francinildo Sena, e o Escorpião de Prata roteirizado e que será desenhado pelo Alex Genaro programado para ser publicado na Tempestade Cerebral #6.
Tem mais surpresas a caminho, mas já posso adiantar que o Escorpião de Prata vai se encontrar com a Penitência, do Marcos Franco; o Lagarto Negro, do Gabriel Rocha; o Penitente, do Lorde Lobo, e o Cometa, do Samicler Gonçalves. Alguns desses encontros ainda estão sendo roteirizados e outros estão sendo desenhados e podem ser publicados em breve.
Além dos parceiros que mencionei e que tenho muito orgulho de ter ao meu lado, tem ainda o Edson Clark, o Moacir Muniz e o Zezo Bauer trabalhando no Escorpião de Prata comigo. E eu boto muita fé no talento desses caras!

4) Como anda a Associação dos Quadrinhistas de Londrina? Quais os projetos da entidade?
A AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, lançada no Dia do Quadrinho Nacional deste ano, está em fase de organização, mas já temos uma sala na Revistaria Odisséia – do Carlos Martins, nosso maior incentivador – onde montamos o estúdio de produção do coletivo Syndicate Ink, que funciona como braço de produção da Associação e assumiu o fanzine “Deu Nisso?!”, que acabou de ter um novo número lançado (em breve o disponibilizaremos em PDF.)
Eu, o arte-educador Carlos Nascimento, o designer Lucas Tanaka, o chargista Fí e o fotógrafo Dennis P. Saridakis abrimos inscrições para cursos e oficinas e estamos dando aulas. Queremos formar novos quadrinhistas e fanzineiros.
Temos uma parceria com o SESC Londrina que neste ano realizará mais uma edição do SESC em Quadrinhos, evento realizado pela primeira vez no ano passado e com muito sucesso. Também realizaremos o segundo 24 Horas de Quadrinhos em Londrina.
Eu fui nomeado representante da área de Artes Gráficas no Conselho Municipal de Cultura, um dos primeiros do Brasil que ajudei a estruturar nos anos 1980, e isso nos traz muitos convites para palestras e exposições. No final da semana passada, participamos do Anime Yuu, evento voltado para os fãs de mangá e anime.


5) Seu site, o Bigorna, é basicamente orientado para divulgação do quadrinho nacional. Como é o trabalho de apuração e seleção do que é publicado?
Na verdade é uma busca diária de informações sobre o que está acontecendo no mercado independente, parte do mercado editorial que ainda carece de organização e, por isso, não tem o hábito de mandar informações e releases de seus lançamentos. Isso já começou a mudar, mas o fato é que eu e o Humberto Yashima, parceiro meu no Bigorna desde seu início, “corremos atrás da notícia”. A gente vai atrás de informações no Orkut, nos fotologs e blogs...O que encontramos e o que chega até a gente, independente da qualidade, nós noticiamos. Creio que neste momento nós não somos os juízes da produção, o mercado é que ditará o que continua a ser publicado ou não. O que vende continua, o que não vende pára de ser publicado. Nós incentivamos as iniciativas, sempre louváveis, num mercado editorial tão competitivo como o nosso, que ainda tem como base os quadrinhos mainstream, especialmente super-heróis, e os mangás mais comerciais. Infelizmente os independentes, tanto nacionais como estrangeiros, precisam brigar, e muito, por espaço.

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