segunda-feira, 4 de maio de 2009

5 Perguntas para Leandro Luigi Del Manto

Atual editor da Devir, Leandro trabalha profissionalmente com quadrinhos há mais de 20 anos, quando foi contratado como assistente de produção pela Ed. Abril. "Se na Abril eu aprendi como se fazia o trabalho de editoração, na Globo eu pude colocar tudo em prática e aprender mais ainda", diz. Desde então, passou pelas principais editoras de HQs do País.

Ele é “só” o cara que trouxe para o Brasil preciosidades como Cavaleiro das Trevas, Elektra Assassina, Watchmen, Ronin (pela Abril), Sandman, Orquídea Negra (Ed. Globo), Authority, Liga Extraordinária (Pandora), Sin City, Lost Girls (Devir)... a lista é imensa (só o Guia dos Quadrinhos tem cadastrados 422 títulos editados por ele, mas certamente é muito mais!)

Conheci Leandro Luigi Del Manto pessoalmente no final dos anos 80, ainda na Abril. De cara, deu para perceber que era um apaixonado por quadrinhos que estava no lugar onde todo fã gostaria de estar. É ele quem responde às 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) O que mudou no mercado brasileiro de quadrinhos desde que você começou a trabalhar nele e qual futuro você enxerga para este mercado?
As principais mudanças foram a perda do monopólio das bancas da Abril para a Panini e a invasão dos mangás nas bancas. O futuro ainda é muito incerto, mas acredito que haverá cada vez mais uma migração de leitores mais exigentes para as edições originais ou os TPs americanos. Está cada vez mais fácil comprar as edições originais pela Amazon e similares.

2) A Devir tem optado por produtos mais bem acabados, luxuosos e, portanto, mais caros. É uma HQ para livrarias, não para bancas de jornal. Qual a estratégia por trás disto?
A estratégia era buscar aquele leitor que costumava ler revistas em quadrinhos compradas nas bancas e que, por uma série de motivos, deixou de comprá-las e passou a ler livros ou álbuns de luxo. Conseguimos acordar uma boa parte dormente de leitores nesse mercado, mas agora diversas outras editoras (pequenas e grandes) passaram a adotar a mesma estratégia e esse nicho de mercado voltou a encolher.

3) Você acredita que o estímulo do poder público – como a inclusão dos quadrinhos no Programa Nacional Biblioteca nas Escolas – pode ajudar a desenvolver uma produção nacional de qualidade?
Não. Vejo os quadrinhos sendo aceitos no PNBE como um investimento cultural que poderá gerar novos leitores num futuro próximo. Financeiramente, é uma boa pedida para as editoras, mas isso pode fazer com que algumas delas passem a adotar políticas editoriais visando a uma possível aceitação pelo PNBE. Isso acaba se tornando uma espécie de censura auto-imposta, pois alguns editores criam projetos que se encaixam nos padrões estabelecidos pelo governo.

4) Nos anos 80, você esteve à frente de títulos que mudaram a história dos quadrinhos. Deve ter sido como um sonho realizado, não? Como esta experiência o marcou?
É curioso falar sobre isso, pois foram todos títulos recém-lançados na época e ninguém via a importância real que eles poderiam ganhar em poucos anos. Na época de Watchmen e Cavaleiro das Trevas foi quase um tiro no escuro, pois muitas pessoas achavam tudo meio estranho e fora dos padrões dos quadrinhos publicados até então. Não se esqueça de que ainda não existia o conceito de "quadrinho adulto" ou "quadrinho de autor". Com Sandman, na Globo, eu tive uma realização diferente, uma vez que havia sido um projeto meu rejeitado pela Abril. No entanto, a cada número de Sandman podíamos ver o surgimento de um novo tipo de leitor, que não se importava apenas com o trabalho do desenhista, mas apenas com o conteúdo da história. Sem falar que Sandman trouxe às bancas as leitoras. Tenho muito orgulho de Sandman também pelo reconhecimento de Neil Gaiman, que sempre elogiou as edições brasileiras.

5) Indique 10 HQs que, na sua opinião, todo fã deveria ler antes de morrer:
- A Liga Extraordinária - Volume 1
- Sandman
- Watchmen
- Incal
- Planetary
- Homem-Aranha (os clássicos)
- Demolidor (a fase de Frank Miller)
- Monstro do Pântano (de Alan Moore)
- Torpedo (de Sanchez Abuli e Jordi Bernet)
- Calvin e Haroldo

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