segunda-feira, 6 de abril de 2009

5 Perguntas: Especial Emir Ribeiro

Amanhã, 7 de abril, o paraibano Emir Ribeiro completa 50 anos.

Aos 14 anos, em 1973, Emir criou sua personagem mais famosa, Velta, para o jornal do colégio. Apenas dois anos depois, passou a publicar em periódicos de circulação estadual, A União e O Norte, lançando outros personagens, como o índio Itabira, a andróide Nova e o Homem de Preto.

Com mais de 35 anos de carreira, hoje Emir dedica-se a produzir suas revistas em edições limitadas.

“Só mantenho a publicação de revistas por três razões: 1) Porque gosto de criar personagens e produzir quadrinhos; 2) Porque tenho um público, mesmo que ínfimo, em relação aos tradicionais personagens estrangeiros; e esse público tem de ser abastecido com novidades, e sobretudo, respeitado; 3) Porque dar algum exemplo incentiva os mais novos (e quem sabe estes consigam alguma fórmula mágica e se dêem melhor que eu e outros da minha geração)?”, me disse ele recentemente.

Em comemoração aos 50 anos de Emir Ribeiro, Papo de Quadrinho reproduz a entrevista que o quadrinhista concedeu a este blog no dia 23 de novembro de 2008. Parabéns, Emir!

1) O que faria as grandes editoras brasileiras se interessarem por publicar regularmente uma HQ com super-heróis nacionais?
Talvez numa única e até improvável hipótese: se o herói brasileiro fosse publicado por uma editora dos Estados Unidos e fizesse sucesso por lá. Portanto, a chance de isso acontecer é milimetricamente próxima de zero, pois o mercado estadunidenese é quase completamente fechado às criações estrangeiras (ainda mais, sendo latinas).

2) Como era sua relação com Gedeone Malagola e quando surgiu a idéia do encontro entre Velta e Raio Negro?
Comecei a me corresponder com Gedeone por volta de 1979 e 1980, até que um dia ele veio me visitar, e aí, pessoalmente, trocamos ainda mais idéias. O encontro entre nossos personagens foi uma delas. Outra foi de eu tentar fazer uma releitura das antigas histórias do Raio Negro. Após sua visita, continuamos nos correspondendo, ou às vezes, telefonando um para o outro. Devido às contingências das ocasiões, o projeto Velta & Raio Negro foi sendo adiado por anos e anos. Fizemos uma tentativa em 2002, pensando que continuariam aqueles formatinhos coloridos nacionais da Editora Escala. Dois amigos - Felipe Meyer e Erick Lustosa - escreveram um roteiro, mas, por motivos diversos o projeto não seguiu adiante.
Foi quando em 2007, decidi: ou iria naquele ano, ou não iria mais nunca. Escrevi a Gedeone e lhe garanti que agora Velta e Raio Negro se encontrariam, de qualquer maneira. Foi quando ele, muito bem humorado, e achando que poderia haver um confronto entre os pesonagens, disse: "Se houver briga, não faça o Raio Negro apanhar muito da Velta."Em seguida, ouvi boatos de que havia gente interessada em torpedear o projeto, e por precaução, pedi a Gedeone para me redigir uma autorização. Foi a última carta recebida dele, de maio de 2008. No final de agosto e início de setembro, comecei a desenhar, mas aí, o mestre veio a falecer no dia 15 daquele mês.Contei toda essa história (com imagens de algumas cartas do Gedeone) na própria edição. Quem comprar, vai saber disso e mais detalhes.

3) Tenho a impressão de que o Brasil é rico em desenhistas mas carente de roteiristas para quadrinhos? A que você atribui isso?
Certamente, há mais desenhistas do que roteiristas, e confesso não ter idéia e nem conjectura sobre a causa dessa desigualdade. É certo que faltam três coisas principais na maior parte dos roteiros brasileiros: pesquisa, ousadia, e fuga dos clichês. São raros os que conseguem preencher esses três requisitos.

4) Qual sua visão sobre as webcomics? São um caminho para a HQB ou nunca vão substituir o prazer de se folhear uma revista?
Não sei quanto às outras pessoas, mas eu não gosto de ler quadrinhos na internet. A posição é desconfortável. Muito tempo diante da tela irrita os olhos (por isso, nem passo muito tempo defronte um monitor de computador). E ainda se corre o risco de uma queda de energia para atrapalhar a leitura. Nada substitui a velha e boa revista impressa, que pode ser lida até ao ar livre, embaixo de uma árvore, deitado numa rede.

5) O que podemos esperar para os próximos 35 anos da Velta?
Para começar, muitas mudanças. E esse indicativo de novos rumos já ficou patente na própria edição dos 35 Anos de Velta, quando tradicionais elementos das histórias de Velta já sofreram modificações. Na conturbada história "O dia da independência", por exemplo, já são ventiladas alterações no futuro da loura.

Site oficial: http://www.emirribeiro.com.br/
Blog: http://fotolog.terra.com.br/hqpb

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